terça-feira, 13 de maio de 2014

Saudades

Ah! Quantas saudades tenho da minha infância. Tantos amigos meus queriam chegar na adolescência rápido para ter mais liberdade. Sair sozinho, ver filmes com os amigos, namorar, ir de ônibus até fazer 18 anos, depois dirigir e ter seu próprio carro.
Sempre aproveitei minha infância. Horas vendo televisão, brincando de carrinhos com meu irmão, de bonecas com minha vizinha. Bagunçar o quarto e depois montar uma cabana de cobertores com minha melhor amiga. Nossa preocupação era comer doces. Era não cair da bicicleta e ficar com o joelho todo ralado. Quem gostava de passar Metiolate? Aquele troço ardia.
Bons tempos. Trocaria minhas horas de dor de cabeça e insônia por um joelho ralado. Trocaria minhas lágrimas derramadas por coisas fúteis de hoje pelas lágrimas de infância, quando minha barraquinha desmoronava. Trocaria minhas preocupações de hoje pelas minhas preocupações infantis. Quem não prefere escolher o sabor do sorvete a escolher qual matéria tem que estudar?
Saudades da época de fundamental. Minhas neuroses se resumiam em achar um livro perdido na escola, esquecer que tinha prova de literatura na terça, quais dias eram melhores para encontrar para fazer um trabalho de português. Minhas neuroses de hoje são tão piores. Chego na escola e me deparo com pessoas que sumirão da minha vida após a formatura. Algumas até no final do ano. Recebo provas de que deveria ir bem.
Saudades da época que eu me pintava com tinta guache e pensava "ops. Acho que essa blusa era a minha mãe". Saudades de quando eu podia ficar andando de bicicleta na pracinha da esquina até anoitecer.
Saudades da época que eu conseguia acordar sábado 7 horas da manhã e ficava até meio dia assistindo desenho. Saudades de ver desenhos!
Saudades de um tempo para mim, de cuidar da minha pele, do meu cabelo e depois me entupir de doces.
Há quanto tempo não faço algo que realmente gosto, sem me preocupar com o que tenho que fazer no dia seguinte?
Saudades especialmente da minha infância.