terça-feira, 13 de maio de 2014

Saudades

Ah! Quantas saudades tenho da minha infância. Tantos amigos meus queriam chegar na adolescência rápido para ter mais liberdade. Sair sozinho, ver filmes com os amigos, namorar, ir de ônibus até fazer 18 anos, depois dirigir e ter seu próprio carro.
Sempre aproveitei minha infância. Horas vendo televisão, brincando de carrinhos com meu irmão, de bonecas com minha vizinha. Bagunçar o quarto e depois montar uma cabana de cobertores com minha melhor amiga. Nossa preocupação era comer doces. Era não cair da bicicleta e ficar com o joelho todo ralado. Quem gostava de passar Metiolate? Aquele troço ardia.
Bons tempos. Trocaria minhas horas de dor de cabeça e insônia por um joelho ralado. Trocaria minhas lágrimas derramadas por coisas fúteis de hoje pelas lágrimas de infância, quando minha barraquinha desmoronava. Trocaria minhas preocupações de hoje pelas minhas preocupações infantis. Quem não prefere escolher o sabor do sorvete a escolher qual matéria tem que estudar?
Saudades da época de fundamental. Minhas neuroses se resumiam em achar um livro perdido na escola, esquecer que tinha prova de literatura na terça, quais dias eram melhores para encontrar para fazer um trabalho de português. Minhas neuroses de hoje são tão piores. Chego na escola e me deparo com pessoas que sumirão da minha vida após a formatura. Algumas até no final do ano. Recebo provas de que deveria ir bem.
Saudades da época que eu me pintava com tinta guache e pensava "ops. Acho que essa blusa era a minha mãe". Saudades de quando eu podia ficar andando de bicicleta na pracinha da esquina até anoitecer.
Saudades da época que eu conseguia acordar sábado 7 horas da manhã e ficava até meio dia assistindo desenho. Saudades de ver desenhos!
Saudades de um tempo para mim, de cuidar da minha pele, do meu cabelo e depois me entupir de doces.
Há quanto tempo não faço algo que realmente gosto, sem me preocupar com o que tenho que fazer no dia seguinte?
Saudades especialmente da minha infância.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Sozinha


Desci, entrei na cozinha e tudo estava como no dia anterior. Exceto pela falta de alguém.
A casa estava totalmente silenciosa. Eu ouvia o farfalhar das folhas ao vento do lado de fora, a geladeira funcionando e as batidas do meu coração. O resto era silêncio absoluto, silêncio de morte.
Procuro pela casa algum sinal de vida, mas não há ninguém, somente eu. Estou sozinha em casa. Acho que dá para sobreviver.
O ritmo dos meus batimentos cardíacos acelera. Minha respiração também. Ouço passos na escada. Corro até a porta, mas ela está trancada.
Me trancaram! Como puderam fazer isso? Agora tem alguém lá em cima tentando me matar e eu não tenho para onde fugir.
Os passos se aproximam. As paredes começam a me pressionar. Não tenho mais para onde ir, não tenho um lugar para me esconder.
Talvez se eu ficar atrás desse sofá, eles não me verão. Mas o meu coração irá me trair novamente, como ele sempre faz.
Vejo a sombra de meu assassino em cima do sofá. Será meu fim.
.........................................................................................................................................................................

'Meu bem, o que você faz escondida atrás do sofá? Calma, não chore.'

quarta-feira, 23 de abril de 2014

4 ódios

Odeio o silêncio
Seus barulhos feitos de nada
Seu grito surdo
Atraindo-me para a loucura.

Odeio a solidão
Não sentir-te junto a mim
O frio abraço
Da morte que me quer.

Odeio a escuridão
Como odeio a solidão
Cada berro escuro que ofusca
A verdade, que mascara as mentiras.

Odeio a realidade
Que me afasta das falsas verdades
Que tomo para mim
Como a própria realidade.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Fuga

Não sei como meu namorado e meus amigos me acharam neste lugar. Eles também não quiseram me explicar. Agora estou voltando para casa. O cansaço me domina aos poucos, as placas da estrada passam pelos meus olhos até eu adormecer

[..]


OK, talvez eu tenha me precipitado. Mas ficar dentro de casa era quase como ser convidado para uma câmara de tortura. Meu único momento de paz era somente durante o sono.Brigas, discussões, problemas, reclamações, desconfiança. Eu estava cansada de tudo aquilo.

[...]

A solidão. As tristezas. Os choros. As portas batendo. O desespero. Eu não queria mais nada daquilo comigo. Queria me afastar, nem que fosse por um instante, somente para ter um motivo para sorrir. Queria fazer Jack cantar de novo enquanto eu sorrio, pois ultimamente ela chora, sentindo tudo que acontece comigo.


[...]


Não sabia mais por qual estrada seguia. Não sabia mais para onde iria, nem para onde estava indo. As placas passavam, mas eu só prestava atenção nas de velocidade na própria estrada.


[...]


Meu mp3, algumas calças, blusas, shorts, bermudas, meias, tênis, sapatos, pilhas, celular, laptop, carregadores, necessaire, toalhas, dinheiro, caixa de primeiros socorros, peças íntimas, amplificadores, caixas de som, documentos, dinheiro, um caderno, colchonete, roupa de cama, travesseiro, Wilbur, e minha inseparável Jack, minha companheira para todas as horas, uma linda Fender Stratocaster


[...]


Bom, agora estou no meu siena, minha mochila com algumas coisas, aberta no chão do passageiro, o mp3 conectado à caixa de som. Estou me afastando cada vez mais e mais de casa, da minha vida, da cidade. Meu namorado e meus amigos podem me esperar enquanto eu fujo um pouco da realidade. Vou manter todos informados, mas nunca dos lugares onde estarei.


[...]


Meus planos? Nenhum. Apenas viajar de carro por onde der.


[...]


Bom, dormir no carro no meio da estrada. Tomar banho em restaurantes. Arrumar uma ponta de emprego na estrada. Nada mau.


[...]


Comprei um GPS em São Paulo. Agora sei onde estou e quais caminhos pegar. Será que ligariam se eu tentasse atravessar alguma fronteira?


[...]


Bom, só lembro de ter visto rostos conhecidos em uma cidade chamada Santa Fé de Nossa Senhora, ou coisa parecida.

sábado, 12 de abril de 2014

Um di(-lu)a em Hogwarts

Luna Lovegood acordou naquela belíssima manhã de Outubro e prontamente verificou, com o auxílio de seus óculos, se algum zonzóbulo estava por perto, bagunçando o cérebro de alguma de suas colegas. Vendo que estavam todas seguras, ela vestiu-se e desceu para a sala comunal, que a esta hora da manhã ainda se encontrava completamente deserta. Luna tinha essa mania de acordar mais cedo que os outros alunos da Corvinal, sua casa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, para verificar a presença de zonzóbulos e lançar feitiços de proteção contra os narguilés. Ela tinha que fazer isso antes dos outros acordarem, pois era comum algumas pessoas caçoarem dela por isso.
Após proteger todo o salão comunal, Luna sentou-se próxima a lareira e ficou admirando aquele lugar, como fazia em todas as manhãs. A sala comunal era ampla e circular, muito bem arejada. As graciosas janelas em arcos davam uma beleza única às paredes assim como os reposteiros coloridos de azul e bronze que as rodeavam. Ela gostava de ficar olhando para as montanhas à tarde, a vista era linda e a fazia lembrar de seu pai, Xenofílio Lovegood. Haviam ainda estrelas pintadas no teto abobadado e no carpete azul marinho. Entretanto, o que mais chamava a atenção ali era a estátua, sempre imponente, de Rowena Revenclaw, com seu belíssimo diadema perdido, uma das fundadoras de Hogwarts e a autora da frase: "O espírito sem limites é o maior tesouro do homem".
Passados alguns minutos (uns 47 pra ser exato) os demais alunos começaram a acordar. Nenhum deles, porém, pareceu notar a presença de Luna, o que também já era bem comum na verdade. Apenas alguns a cumprimentavam, geralmente Cho Chang e sua amiga Marieta Edgecombe, a última apenas por se sentir forçada a fazê-lo, e um garoto chamado Miguel Corner, quando não está distraído demais pensando em alguma outra coisa. Sempre que ele passava Luna se perguntava se um dia poderia fazer uma visita ao dormitório dos garotos, pois lá deveria estar repleto de zonzóbulos da pior (ou melhor?) espécie. Seus pensamentos eram, no entanto, interrompidos por algo além da compreensão humana: vontade de comer pudim. Nessa hora, ela descia para o salão principal para tomar o café da manhã.
Após o café, ela seguiu para a primeira aula do dia, Feitiços. A aula era em conjunto com os alunos da Grifinória, o que deixava Luna absurdamente feliz, pois ela adorava conversar sobre ameixas dirigíveis e erupentes com eles, em especial com Gina Weasley, a única que passava mais de dois minutos falando com ela.  A aula de feitiços era sempre muito divertida, porém não havia um dia em que ela não se lembrasse de sua mãe enquanto praticava os feitiços ensinados pelo professor Flitwick. Afinal ela morrera devido a um feitiço que deu errado. Ela ficava muito triste por isso às vezes, ainda mais por ela presenciara tal fato. Entretanto, nos momentos tristes, ela sempre pensava em seu pai e em como eles eram felizes. Após o término da aula, Luna olhou bem para sua varinha e decidiu fazer uma visitinha aos testrálios naquela tarde.
A segunda aula do dia era Herbologia, com a Sonserina. Luna descia para as estufas quando, de repente, pisou em uma gosma muito estranha, que não estava ali minutos atrás. Ela pode ver e ouvir as risadas dos garotos da Sonserina (não que eles tenham se escondido) que corriam em direção as estufas. Ela, calmamente, limpou-se com o auxílio da sua varinha, e seguiu saltitante e alegre para a aula. Infelizmente aquilo era comum e ela já estava mais que acostumada. Apesar das dificuldades que teve na aula (aparentemente a Hubre dela era a única que só gritava palavrões, provavelmente enfeitiçada por algum aluno que queria zombar dela), Luna saiu-se bem, arrancando elogios da Professora Sprout e ondas de ódio dos alunos da Sonserina.
Após o almoço, Luna seguiu para a Torre Oeste, passou direto pela escada em espiral que a levaria a entrada do Salão Comunal e se dirigiu a uma sala abandonada, onde costumava ficar conversando por horas com a Dama Cinzenta, o fantasma da Corvinal. Luna já ouvira histórias assombrosas e maravilhosas sobre Hogwarts, nos tempos em que Helena estudara ou depois, quando ela já era o fantasma da Casa a que pertenceu enquanto viva. O fantasma, no entanto, nunca tocou no assunto do diadema perdido e Luna também não insistia. Em geral as conversas eram mais longas, mas nesse dia específico ela foi interrompida pela chegada de Pirraça, de quem Luna gostava muito, embora ele adorasse implicar com ela. Dessa vez ele roubou os sapatos dela e saiu gritando “Eu roubei os sapatos da Di-lua!” pelos corredores da escola. Isso, curiosamente, a lembrou que tinha que se apressar para a aula de poções.
O caminho até as masmorras era longo, e Luna foi saltitando alegremente até lá, despertando risadinhas por onde passasse. Educada, ela cumprimentava a todos que via: pessoas, fantasmas e quadros. Estes dois últimos a adoravam (exceto Pirraça, claro) e sempre faziam cara feia para os garotos que zombavam dela. Chegando à aula, Luna cumprimentou alegremente o Professor Snape e foi se sentar. Ele, no entanto, a questionou sobre o fato de estar descalça e retirou cinco pontos da Corvinal pela desatenção da garota. A aula foi bem complicada, como sempre. A poção que teriam que preparar era extremamente complexa. Sete páginas de instruções e 42 ingredientes diferentes que deveriam ser adicionados em um tempo e em uma temperatura exatas. Ao fim da aula, a poção de Luna era até satisfatória, se comparada as dos demais alunos da Corvinal e da Lufa-Lufa que estavam lá. É claro que o professor Snape não perdeu a oportunidade de retirar mais cinco pontos de cada uma das casas por sua incompetência no preparo de uma poção tão simples.
Luna fez o caminho de volta até a Torre Oeste, mas dessa vez subiu a escada em espiral, encontrando ao final uma porta com uma aldrava de bronze com a forma de uma águia. Ela bateu na aldrava e aguardou até que a pergunta fosse feita. Para aqueles que não sabem, vou explicar: para entrar no salão comunal, o aluno precisa responder uma pergunta. Se errar, ele tem que aguardar até que outro aluno acerte. Dessa forma o aprendizado é estimulado. A pergunta foi:
“Qual é o bicho que tem os olhos na nuca e caminha veloz com os pés voltados para frente?”
Luna pensou por alguns minutos e então respondeu:
“O homem. Pois o homem corre velozmente em direção ao futuro, mas seus olhos, sua atenção só conhece o passado.”
“Bem pensado” – respondeu a aldrava – “Pode entrar.”
A porta de madeira envelhecida se abriu revelando um salão comunal lotado. Luna se dirigiu ao dormitório para se trocar. Percebeu que nenhum de seus sapatos se encontrava lá, mas não se importou com isso. A visita aos testrálios ainda era seu principal objetivo. Desceu novamente ao salão comunal e saiu da mesma forma que entrou, sem ser notada. Foi direto para a Floresta, para a clareira onde costumavam ficar aqueles animais fascinantes que só ela, e agora Harry Potter, fato que ela descobrira na primeira noite no castelo podiam ver. Ela gostava de ficar olhando para eles. Criaturas incompreendidas. Ela sempre lembrava de sua mãe enquanto os observava. Aquela tarde, porém não seria como as tantas outras que já tinha passado ali. Dessa vez ela tinha companhia.
“Olá Harry Potter.”

terça-feira, 8 de abril de 2014

Limiar

Estou correndo
O vento sibilava em meus ouvidos
e batia em cheio no meu rosto,
afastando meus cabelos
Um baque, um segundo
Não senti mais o chão
A sensação de voar,
a liberdade, o mundo abaixo de mim.
Cheiros e gostos se misturavam;
cheiro de melancia em meu nariz,
gosto de terra em minha boca.
Algo frio atinge minha testa.
Sinto algo escorrendo em meu rosto.
Não há dor,
um sentimento entorpecente
me envolve por completo.
A Escuridão,
que antes eu temia.
E por fim, uma belíssima sensação
de paz que nunca tive.

domingo, 30 de março de 2014

A fera

- Doutor!
- Sim? Ah, general, tudo bem com o senhor?
- Isso vai depender do que o senhor me responder. Já terminou de analisar o espécime que lhe foi enviado?
- Sim. Ele é simplesmente singular. Estava lendo os relatórios que o exército enviou junto com o corpo. Se me permite, general, onde ele foi encontrado?
- Nós o capturamos perto do mar. Matou seis soldados antes de sucumbir. Confesso envergonhadamente que não foi por nenhum esforço nosso, ele parece ter sufocado. O que você achou?
- Bom, eu confesso que nunca tinha visto nada similar. Antes de ser chamado pelo exército eu ainda acreditava que as notícias eram apenas um jogo da mídia. A primeira coisa que percebi é a grossura da pele. Mandei uma amostra para análise, a composição é bem similar à nossa, mas parece ser uma sobreposição de várias e várias camadas de pele.
- Parece?
- Entenda, general, esse é o primeiro espécime a que tivemos acesso para estudo. Posso lhe fornecer algumas informações, mas a nossa equipe, por enquanto, só pode inferir sobre as características anatômicas que desconhecemos. Talvez, se pudéssemos adquirir um deles vivo, ou nos comunicar com eles, teríamos muito mais informações.
- Baseado no estrago que esse e o parceiro dele, que fugiu numa espécie de cápsula espacial, fizeram, eu gostaria que esse fosse o último que víssemos. Prossiga.
- A pele dele, apesar de bem mais resistente e grossa que a nossa, não é de todo, impenetrável. Os tiros disparados contra ele praticamente não atravessaram a armadura que ele vestia, exceto por esse nas costas, mas não sei quanto dano ele sofreu. Acertou o osso, mas a densidade deles é incrível, combinada com os fluidos no seu interior, acredito que estamos diante de um dos materiais mais resistentes que conhecemos.
- E como você tirou os ossos?
- Bem, como poucas de minhas ferramentas conseguiam atravessa-los, resolvi fazer a maior parte da dissecção escavando os músculos, quebrando apenas alguns poucos ossos para ver se haviam diferenças muito grandes entre eles. Curiosamente não há tantas diferenças nesse aspecto. A grande força física dele se dá justamente por ter músculos muito maiores que os nossos e ossos mais resistentes. Fazendo uma inferência, imagino que a gravidade no planeta dele é maior do que aqui, daí seu tamanho. O maior problema foi analisar os órgãos internos, Pela posição dos ossos, tivemos alguma dificuldade para removê-los. Alguns foram danificados no processo. A remoção parcial do cérebro só foi possível através das cavidades oculares. Apesar de todas as diferenças estruturais, a composição básica dele é carbono, como a nossa. A diferença está mais na quantidade de H2O e a concentração de metais, isso aparentemente aumenta a transmissão de impulsos, muito maiores. Isso aliado à acuidade visual que as células dos olhos indicam, devia dar a ele reflexos muito bons. Infelizmente isso também faz que as secreções de sua pele sejam altamente corrosivas. Elas também evaporam rápido nas nossas condições ambientes. Por isso estamos de máscara.
- E a armadura?
- Bem, eu mandei para a análise, mas os resultados ainda não chegaram. Apesar de ter entregue o mais rápido o possível por possivelmente ser radioativa, dei uma olhada nos símbolos, mas evidentemente não compreendi nada.
- Possivelmente também não compreenderão. Para isso acho que só um deles poderia nos explicar. Mas caso haja algum contato com eles novamente no futuro, duvido que será de natureza pacífica. O companheiro dele possivelmente contará histórias sobre "as criaturas alienígenas que os atacaram sem razão". O fato de eles terem destruído dezenas de casas e um templo cheio de fiéis na sua chegada possivelmente nem constará em seu relatório. Se é que essas abominações conhecem o termo. O que mais conseguiu extrair, doutor?
- Bem, general. Os pulmões dele aparentemente são seccionados em cinco subpartes e pela alta vascularização, estimo que ele conseguiria percorrer distâncias enormes antes de se exaurir. Os dentes dele também são de uma resistência inimaginável. Acredito que partiria um de nós numa única mordida, se decidisse faze-lo. O coração também é uma máquina. Voltou a bater assim que o pusemos em água. Por sorte já estava fora do corpo, caso contrário acho que a criatura voltaria a vida. Posso estar sendo influenciado pelas obras de ficção, general, mas eu consideraria a possibilidade de essas serem apenas as unidades de reconhecimento, antes que algo muito pior possa vir à nós.
- Espero que não, doutor.
- Há alguma informação de onde ele possa ter vindo?
- Sim, doutor. Sabemos precisamente de onde ele veio, infelizmente somos o planeta mais próximo do deles.
- Está querendo dizer que eles são do nosso sistema? Espere, não pode ser verdade isso. Eles não podem ter vindo de... Por favor, general, me diga que isso não é verdade.
- Sim, doutor. A inteligência já descobriu que esse espécime é um representante da raça dominante do Planeta de Água, o terceiro a partir da nossa estrela.

terça-feira, 25 de março de 2014

Viver!


Vivo para sonhar
Vivo para dançar
Vivo para comer
Vivo para beijar

Vivo cada dia
Como único dia
Como se amanhã não importasse

Vivo para amar
Vivo para sorrir
Vivo para entender
Vivo para descobrir

Ontem acabou
Hoje não se repetirá
Amanhã? Amanhã ninguém
Ninguém sabe como será

Vivo para chorar
Vivo para ler
Vivo para ouvir
Vivo para viver!

domingo, 23 de março de 2014

E assim eu te Encontrei...


 – Estou em casa!
 – Bem vindo de volta... O que aconteceu, Raiden?
 – Não foi nada... Eu apenas caí no caminho.
 – De novo? Você tem que tomar mais cuidado, meu filho...
 – Eu sei... Desculpe-me.
 – Está tudo bem. O importante é que você não se machucou. – Ela sorriu. – Agora vá tomar um banho, pois o jantar está quase pronto.
Era horrível ter que mentir para minha mãe, mas essa é a única forma de poupá-la da triste verdade por trás da sujeira em minha roupa e dos constantes machucados misteriosos. Para ser sincero, não acho que ela acredite em mim quando digo que apenas levei um tombo. No fundo, acho que ela sabe que eu sofro por causa de minha aparência, mas ela não pode admitir isso para si mesma, do contrário começaria a se sentir culpada novamente. Não que fosse realmente culpa dela o fato de eu ter nascido com um rosto tão assustador. Ninguém tinha culpa disso, mas sempre que pensava nisso, mamãe sofria e se sentia mal pelo que eu passava na escola. Para evitar que ela se sentisse assim, eu passei a esconder o que acontecia e apenas dizia que tinha caído em algum lugar... Eu apenas não conseguia mais vê-la sofrer...
Após tomar banho, fui jantar com minha mãe. Meu pai trabalhava no exterior, então éramos apenas nós dois naquela casa enorme. Isso era um pouco triste, mas eu me sentia feliz por ter minha mãe por perto. Sempre conversávamos sobre diversos assuntos durante o jantar, desde política e economia até esportes e mangás! Então não importava o quanto eu sofresse durante o dia, desde que eu pudesse ver o sorriso de minha mãe a noite, eu estava feliz. A conversa naquela noite foi sobre a mudança que ocorreria dali a dois dias.
 – Você já terminou de empacotar suas coisas?
 – Quase tudo. Só falta o meu material de trabalho. Já desci com a maior parte das caixas, então acredito que até amanhã à noite eu termine.
 – Gostaria que eu o ajudasse?
 – Não precisa, mãe! Além disso, você também tem trabalho a fazer, não é?
 – É verdade... Ainda tenho que limpar os quartos...
 – Eu irei ajudar!
 – Mas você não tem que cumprir o prazo?
 – Não se preocupe! Já tenho 90% das imagens concluídas e bastante tempo de prazo!
 – Tem certeza?
 – Claro que sim! A Editora me deu alguns dias a mais por causa da mudança.
 – Eles realmente gostam dos seus desenhos, não é? Tenho tanto orgulho de você!
 – Não fale assim... Eu fico sem graça, você sabe... Mas, fora isso, quando eles vão se mudar?
 – Acredito que cheguem no Domingo.
 – Tão depressa... Eles devem mesmo estar com pressa, não é?
 – Não sei dos detalhes, mas parece que a Empresa na qual o Senhor Takeda vai trabalhar quer que ele comece já na Segunda...
 – Entendo...
 – Eles tem uma filha com sua idade, sabia?
 – Ah é...?
Uma garota? Aquilo me surpreendeu... Nunca imaginei ter uma garota vivendo tão próxima a mim... Eu já conseguia visualizar ela me evitando e fingindo que não me conhece quando alguém a questionasse. Aquela cena ilusória tirou meu apetite. Dizendo que iria trabalhar um pouco antes de dormir, me despedi de minha mãe e voltei ao meu quarto. Apenas minha mesa e meu equipamento ainda estavam lá, mas eles eram tudo que eu precisava para me distrair. Enquanto desenhava as cenas do novo capítulo do meu mangá, o mundo parecia desaparecer e todos os meus problemas e frustrações tornavam-se insignificantes.
 – Ah, como eu queria que você fosse real, Ueno-chan...

.         .          .

O som de pessoas subindo e descendo a escada me acordou. Era Domingo, então imaginei que aqueles sons fossem os Takeda levando suas coisas para o andar de cima, aonde morariam a partir de hoje. Era um pouco estranho imaginar que passaríamos a dividir a casa com eles, afinal até então éramos apenas mamãe e eu. Na verdade, o que mais me amedrontava, era como eles reagiriam ao me ver... Será que me evitariam como todos os outros adultos? Ou seriam rudes? Será que seriam gentis? Eu queria saber e ao mesmo tempo tinha medo de descobrir... Com receio, decidi sair do quarto.
 – Ah! Você acordou Raiden! Rápido, venha aqui se apresentar. – Minha mãe disse ao me ver.
Fui na direção em que ela estava e, como imaginei, encontrei os três membros da Família Takeda na sala de estar. Nenhum deles pareceu ficar surpreso ao me ver, o que me fez me sentir um pouco estranho. Era a primeira vez que conhecia pessoas que não me olhavam torto ao me ver pela primeira vez. O Senhor Takeda era um homem alto e de bom porte físico. Assim que me viu, sorriu gentilmente e se apressou em vir até mim para me cumprimentar formalmente. Atrás dele, a Senhora Takeda e a filha fizeram o mesmo.
 – Muito prazer! Meu nome é Takeda Hayato. Espero que possamos nos dar bem de agora em diante!
 – O prazer é meu. Eu sou Kudo Raiden.
 – Raiden-kun, então? – Perguntou a Senhora Takeda. – Muito prazer! Eu sou Takeda Kurumi.
 – Muito prazer, Kurumi-san.
 – Agora é sua vez... Se apresente...
 – Eu sou Takeda Ueno...
Eu não havia notado até estar frente a frente com ela, mas aquele longo cabelo castanho com uma única trança lateral caindo sobre o ombro direito, a pele clara e os olhos verdes a tornavam uma imagem viva da heroína do meu mangá. Além disso, ela também se chamava Ueno? Estava tão surpreso que nem mesmo me dei conta que ela havia saído da sala. O Senhor Takeda desculpava-se pela má educação da filha enquanto eu tentava acalmá-lo dizendo que não me importava com o ocorrido. Eu estava surpreso demais para me importar...
A noite, fiquei pensando no quanto aquilo era inacreditável. Uma garota que era a cara da personagem criada por mim e que, ainda por cima, tinha o mesmo nome? Isso era completamente absurdo! Não consegui trabalhar pela primeira vez em muito tempo, pois apenas a Ueno real me vinha a cabeça. Acabei adormecendo.

.         .          .

Na manhã seguinte, saí de casa antes que os Takeda acordassem. Para ser sincero, eu apenas não queria que Ueno-san me visse, então fui bem cedo para a escola. Enquanto caminhava, me lembrei que ela tinha a mesma idade que eu e, portanto, também deveria estar no mesmo ano que eu. Imaginei para que escola ela iria. Provavelmente para a mesma que eu frequentava, pois era a mais próxima de casa. A resposta veio mais tarde naquele mesmo dia, quando Ueno-san se apresentou a todos de minha turma.
Embora tenha tido que se sentar ao meu lado, ela nem sequer olhou em minha direção uma vez sequer. Admito que ser ignorado daquela maneira me incomodou, mas achei melhor não tentar falar com ela. Afinal, eu sabia que ela odiaria ser associada a alguém com uma aparência como a minha, no fim das contas. No entanto, ser ignorado não era tão ruim, afinal, pela primeira vez em muito tempo eu consegui comer meu lanche em paz no intervalo, uma vez que todas as atenções estavam voltadas para a aluna transferida e não para o cara de aparência bizarra... Silenciosamente agradeci pela presença dela e, discretamente, deixei a sala.
Os dias foram se passando e Ueno-san tornou-se amiga de todos na classe. Embora eu me sentisse agradecido por não estar sendo importunado, eu me sentia um pouco solitário pelo fato de ser ignorado por ela. Percebi que aos poucos, a visão que eu tinha dela ia se tornando diferente. Se no começo era apenas espanto pela semelhança dela com minha personagem, com o tempo aquilo se tornou admiração. Eu a via sorrir enquanto conversava com as amigas e aquilo bastava para fazer meu coração palpitar. Ela era tão gentil com todos... Estava sempre disposta a ajudar alguém em dificuldades... Percebi que não era apenas na aparência que ela me lembrava de minha Ueno-chan, mas também na atitude gentil e determinada. Não sei quando percebi que estava apaixonado, mas isso não fazia muita diferença, afinal eu tinha certeza que ela me odiava.
Eu havia me acostumado a passar meu tempo livre em silêncio, observando-a de longe. As pessoas pareciam ter se esquecido de mim desde a chegada dela, então eu tinha me permitido baixar a guarda. No entanto, eu deveria saber que aquela paz seria temporária. Com as pessoas se acostumando com a presença de Ueno-san, tudo voltaria a ser como era antes. Naquela tarde, depois de muito tempo, as pessoas se reuniram com os tradicionais frutos podres e ovos. As risadas ecoavam em minha cabeça enquanto as pessoas atiravam tudo o que tinham em mãos em minha direção. Só o que me restava fazer era esperar até que todos se cansassem e, então, ir para casa... Eu já estava acostumado, no fim das contas...

.         .          .

Após tomar banho decidi trabalhar em meu mangá para me distrair. Aquilo sempre funcionara, afinal. Porém, ao entrar em meu quarto tive uma grande surpresa! Ele não estava vazio como de costume. Ela estava lá. Ela nunca havia falado comigo em casa, mas agora estava em meu quarto olhando para... Meu mangá!
 – Ei! Isso não é....
 – Ah, você voltou. – Ela não parecia surpresa ou chateada com o que havia visto. – Eu vi esses desenhos na sua mesa... Foi você quem os fez?
 – Sim... Mas isso não...
 – Sabe, eu realmente gosto deste mangá... Até mudei meu visual para ficar mais parecida com a Ueno-chan.
Eu estava sem palavras. Aquilo estava mesmo acontecendo? Parecia tão surreal!
 – Eu escutei quando você mentiu para sua mãe... – Ela disse ainda olhando para os desenhos. – Por que fez isso?
 – Você ouviu isso? Sinto muito por isso...
 – Tudo bem... Mas por que?
 – Para que ela não fique se culpando.
 – E por que ela faria isso?
 – Por causa do meu rosto... Eu nasci com esse rosto assustador e desde criança tenho sofrido maus tratos por causa de minha aparência. Mamãe sempre se culpou por isso... Dizia que era culpa dela eu sofrer desse jeito... Por isso eu passei a esconder dela que ainda era provocado e humilhado todos os dias... Não acho que ela acredite em mim de verdade, mas pelo menos assim ela é capaz de sorrir para mim todas as noites...
 – Hum... Então é por isso...
 – Sim...
 – Mas por que você aceita que façam isso com você, afinal?
 – Porque só assim isso vai acabar... – Eu me sentei. – Eu acredito que um dia eles vão se cansar de mim...
 – Você é mesmo uma pessoa boa, não é? – Ela virou-se para mim.
 – Não sei se posso concordar com isso...
 – Mas é a verdade, não é? Você sempre prepara o café da manhã para todos antes de sair não é? E sempre que alguém esquece a lição você joga a sua para que a pessoa encontre e use como dela e recebe a bronca no lugar dela. Você sempre limpa a sala e cuida das plantas mesmo que não seja seu dia de fazer isso. Além disso você escreve o mangá da Ueno-chan, então você é mesmo uma pessoa boa...
 – Eu...
 – Bom, não vou te dizer o que fazer, mas não é legal mentir para sua mãe... – Ela se levantou e foi em direção a porta.
 – Ei...! – Chamei. – Posso te perguntar uma coisa?
 – Apenas uma.
 – Por que você nunca fala comigo na Escola?
 – Porque você nunca se apresentou formalmente.
 – Ah... Entendo... Então é isso...
 – Sabe, você não precisa passar por tudo sozinho... – Dizendo isso ela se foi, fechando a porta do quarto.
Meu coração estava queimando. Aquela era a primeira vez que conversávamos de verdade. Até então nossas interações baseavam-se apenas em cumprimentos formais quando nos víamos em casa e nada além disso. Mas naquele momento eu percebi que ela me observava muito mais do que eu poderia imaginar. Ela havia reparado em muitas das coisas que eu fazia em segredo. Enquanto esperava o sono chegar, desejei que aquilo não fosse um sonho... Desejei que não fosse mera coincidência nossos caminhos terem se cruzado... Desejei que pudéssemos ter conversas como aquela mais vezes... Desejei que eu pudesse estar ao lado dela... Mas logo antes de adormecer eu me lembrei que deixei de acreditar nesse tipo de milagre há muito tempo.

.         .          .

No dia seguinte, acordei mais cedo como sempre fizera, mas fui surpreendido pela presença dela na cozinha. Ela estava terminando de preparar o café da manhã. Quando notou minha presença, ela apenas sorriu e me apontou uma cadeira. Obediente, sentei-me e ela trouxe a minha parte. Eu estava confuso como aquela situação.
 – É bom, viu? – Ela disse. – Quando alguém cuida de você...
Pela primeira vez desde que ela havia se mudado, fomos juntos para a Escola. Não lado a lado, é verdade, mas mesmo assim era algo que eu jamais imaginara ser possível. Eu me sentia em feliz como há muito não me sentia. Era como se tudo o que eu passei durante todos aqueles anos não tivesse a menor importância desde que ela estivesse comigo... Aquela paz, entretanto, parecia que iria chegar ao fim quando as amigas dela apareceram.
 – Aquele cara está sorrindo enquanto olha na sua direção, Ueno...
 – É nojento!
 – O que você quer aqui? Por acaso você pretende atacar a pobre Ueno?
 – Tarado! Qual é a sua? Vê se desaparece de uma vez!
 – Me desculpem... – Disse baixando a cabeça. – Me desculpem! – Uma lágrima desceu pelo meu rosto. Por que eu estava chorando? Eu já estava acostumado a ser tratado assim...
 – Eu o conheço. – A voz de Ueno-san chegou até mim. – Ele é uma boa pessoa, então vocês não deveriam falar assim com ele...
Ela estava me defendendo? Não era possível. Eu estava atordoado e as amigas dela pareciam estar sem palavras. Aquela era a primeira vez que alguém me defendia. Senti o toque dela em meu ombro. Ela perguntou se estava tudo bem e sorriu quando eu disse que sim. Eu podia sentir os olhares surpresos de todos ao nosso redor, mas eu não me importava... Eu apenas queria que aquele momento durasse para sempre... Ela era tão forte e tão gentil... Minha admiração por ela crescia exponencialmente a cada segundo que passava.

.         .          .

 – Eu soube que a Ueno-san protegeu aquele cara estranho...
 – Eu também escutei sobre isso... Qual o problema dela?
 – Talvez ela goste de caras como ele...
 – Deve ser isso...
 – E ela parecia ser uma pessoa tão normal...
 – Acho melhor deixarmos ela de lado...
As pessoas da minha Escola podiam ser cruéis quando queriam. Eu sabia muito bem disso, pois já havia experimentado essa crueldade centenas de vezes nos últimos anos. No entanto, Ueno-san não sabia disso quando decidiu me ajudar na manhã anterior. Desde que o assunto se espalhou, ela passou a ser tratada de forma fria por quase todos os alunos. Eu me sentia culpado pelo ocorrido, mas sempre que eu tentava me desculpar, ela me interrompia e dizia que estava tudo bem com um sorriso no rosto. Ela realmente era muito mais forte do que eu poderia ser... Ou ao menos era isso no que eu acreditava...
Duas semanas haviam se passado desde o ocorrido e a forma como as pessoas se referiam a Ueno-san piorava cada vez mais. Ela, no entanto, não parecia se importar com isso. Todos os dias, na hora do almoço, ela saia da sala e me dizia que iria almoçar sozinha. Quando a perguntei o motivo, ela limitou-se a sorrir e dizer que era um segredo dela. No princípio achei que não fosse nada importante, mas depois de algum tempo comecei a achar que essa atitude era suspeita e acabei ficando preocupado.
Decidi segui-la. Sei que isso não é a coisa mais correta a se fazer, mas eu temia que ela pudesse estar sendo humilhada como eu sempre era. Sem que ela percebesse, fui atrás dela naquele dia. Surpreendentemente, o local para o qual ela sempre ia durante o almoço era o mesmo lugar no qual eu me refugiava quando mais novo: o terraço. Aquele lugar me trazia muitas lembranças, apesar da última delas ser horrível. No entanto, eu não tinha tempo para pensar nisso. Eu estava ali apenas para descobrir o que Ueno-san vinha fazendo todos os dias... Olhei em volta a procura dela e a vi sentada em um canto com a cabeça baixa. Hesitei um pouco antes de decidir me aproximar. Ao vê-la de mais perto, notei que ela estava chorando.
Naquele instante eu percebi o quão impotente eu era. Não havia sido capaz de perceber o quanto ela estava sofrendo em silêncio mesmo vivendo sob o mesmo teto. Eu era realmente patético. Ela ainda não havia notado minha presença, então estava me virando para ir embora quando a escutei. A princípio pensei ser minha imaginação, mas a voz dela continuava a ecoar em minha mente. Aquela curta frase que ela repetia de novo e de novo fez com que meu coração palpitasse...
 – Alguém... Me encontre...
O que ela estava dizendo? Por que ela estava dizendo aquilo? Ela queria que alguém a encontrasse? Que alguém a salvasse? Só então eu soube que ela era igual a mim. Alguém que fingia não se importar com nada que fosse dito ou feito, mas que na verdade estava em prantos por dentro. Ela precisava de ajuda. Precisava que alguém ficasse ao lado dela da mesma forma que ela havia ficado ao meu. Não importava que eu fosse quem eu era... Naquele momento, eu não poderia hesitar. Ela estava esperando...  
 – Eu te encontrei... – Disse, sem graça.
Ela pareceu assustada ao perceber minha presença.
 – O que? Por que você...?
 – Por nada...
 – O que você quer? – Ela enxugou os olhos, tentando conter as lágrimas.
 – Fingindo ser forte, mas chorando por dentro... Hum... Você é quase igual a mim...
 – O que quer dizer?
 – Exatamente o que eu disse.
Após alguns instantes de silêncio, ela sorriu. Era muito bom vê-la sorrir depois de tudo, mas ela também chorava. Não soube se por não conseguir segurar as lágrimas ou se por não querer mais segurá-las. Eu não sabia o que fazer, então apenas fiquei ali, olhando para ela. Nossos olhos se encontraram por um momento.
 – Obrigado. – Ela disse.
Eu havia encontrado. Eu finalmente havia encontrado. Alguém com quem eu pudesse caminhar junto. Estava tão feliz que era difícil acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Vê-la daquela forma tão frágil, completamente diferente da imagem forte que ela mostrava aos outros, me fez perceber que eu poderia, um dia, estar ao lado dela. Que eu poderia protege-la desde que eu me tornasse forte o bastante para isso. Eu havia encontrado um motivo para continuar em frente.
 – Eu estarei sempre com você. – Eu disse ao abraça-la.
Ela aceitou meu abraço como se já o esperasse há muito tempo. Eu não tinha mais dúvidas. Certamente, o dia em que minha mão esquerda e a mão direita dela irão se apertar forte iria chegar. E quando chegasse, eu jamais a soltaria... Jamais a deixaria ir embora.

.         .          .


 – Foi assim que eu te encontrei...

terça-feira, 18 de março de 2014

Questões

Poderá uma armadura amar?
Poderá a sombra querer a Luz?
e o Sol, encontra com a Lua?


As estrelas e o luar, envolvendo casais apaixonados
poderão eles amar o humanos? ou amar outra coisa?
A vida e a morte, poderão elas se amarem?
se uma existe, a outra não poderá existir.
Será que elas se encontram na tênue linha vida-morte?

O que é isso que chamamos de amor?
é somente gostar? proteger? não machucar?
ou ver um sorriso e sorrir também?

Poderá alguém amar uma armadura?

Poderá a Luz amar a sombra?
Poderá a Lua amar o Sol?


Poderá o amor amar?

domingo, 16 de março de 2014

Fogos de Artifício

– Ei, Makino! Makino! Você vai ao Festival neste fim de semana? Soube que a queima de fogos será ainda maior do que a do ano passado...
 – Ei! Não diga essas coisas... Você sabe que ela...
 – Não se preocupe, Haruna. Eu estou bem. – Fingi um sorriso. – Ainda não sei se vou, Karen... Não sei se quero ir...
Depois de minha resposta mais sincera do que deveria ter sido, minhas amigas concordaram em me deixar sozinha. Embora elas sorrissem quando saíram da Enfermaria, eu sabia que no fundo elas estavam preocupadas comigo. Eu me sentia um pouco feliz por saber disso, mas nem assim eu conseguia mostrar a elas um sorriso verdadeiro. Não consegui mostrar isso a ninguém durante o último ano. Eu sabia que isso tornava todos ao meu redor um pouco infelizes, afinal eles desejavam meu bem. Mas mesmo assim eu não conseguia esquecer...
Acabei indo para casa naquele dia, ignorando as aulas da tarde. Eu não estava mesmo em condições de prestar qualquer atenção. Meus pais trabalham até tarde, então estaria sozinha em casa, o que era perfeito, pois não estava com vontade de ver e muito menos falar com alguém. Tudo o que eu queria era me refugiar no meu quarto, como sempre fazia nesses momentos de tristeza, e por algumas horas esquecer de tudo e todos, exceto de você...
 - Sabe, meu quarto ainda está do mesmo jeito que você viu da última vez... Você se lembra?
Eu já havia me acostumado com a falta de resposta, mas o silêncio ainda era doloroso o bastante para me fazer chorar. Durante o último ano, eu chorei todos os dias, mesmo que não quisesse fazer isso... Aquele quarto me trazia várias memórias dos nossos dias juntos... Passamos tanto tempo brincando aqui que seu cheiro tornou-se parte do quarto... Mas agora mesmo ele desapareceu...
 - Por quê? Por que você teve que desaparecer? – Minha voz falhava por causa de minhas lágrimas e soluços.
Mais uma vez eu estava em prantos, sem ter a quem recorrer, afinal você era o único que sempre estava lá por mim quando eu chorava. Você sempre me abraçava e dizia que tudo iria ficar bem... Sempre sorria quando eu estava triste e isso era muito mais do que o suficiente para me fazer esquecer qualquer coisa... Você sempre sabia o que dizer ou o que fazer... Você sempre cuidou de mim...
 – Por quê você não sorri mais?
Os dias passavam cada vez mais rápido ao longo da semana e as conversas sobre o festival ficavam cada vez mais intensas. No começo, todos evitavam falar sobre esse assunto enquanto eu estava por perto, mas a medida que o fim de semana tão esperado se aproximava, minha presença tornava-se despercebida diante da empolgação de todos. Mesmo minhas amigas mais próximas pareciam não mais se importar em tocar no assunto comigo presente.
 – Estou tão empolgada! Eu queria saber de algum bom lugar para ver os fogos...
 – Eu também gostaria, mas acho que teremos que nos contentar com o lugar de sempre...
 – Mas vai estar tão cheio!
 – Não adianta fazer essa cara, Karen... É o único lugar que conhecemos...
 – Você sabe de algum bom lugar, Makino? Ah! Desculpa!
 – Não tem problema. Eu sei que vocês estão empolgadas... – Mais uma vez eu era forçada a fingir um sorriso para elas. – Mas é uma pena... Não sei de nenhum lugar assim.
Era mentira. Eu conhecia um excelente lugar, mas não podia dizer isso a elas. Aquele era o nosso lugar, afinal... Sempre íamos lá para assistir os fogos... Nem mesmo consigo me lembrar de quando fomos lá pela primeira vez... Acho que tínhamos uns dez anos de idade ou menos... Encontramos aquele lugar por acaso, depois de nos perdermos na floresta. Eu estava chorando e você segurou minha mão. Enquanto você me guiava, a visão que eu tinha era a de um herói salvando uma donzela em perigo. Quase não acreditei quando você, anos mais tarde, me confessou que estava com medo também. Quando chegamos lá, nos deparamos com uma linda visão do ceu estrelado daquela noite de verão. Enquanto olhávamos para o alto, os fogos de artifício, repentinamente, começaram a subir. Você olhava para aquilo como se estivesse em transe, mas confesso que naquele dia eu não vi os fogos... Naquele dia eu apenas conseguia olhar para o seu rosto... Naquele momento eu soube que estava apaixonada...
A partir daquele dia, fomos ao festival todos os anos. A cada verão que acabava, meus sentimentos por você aumentavam mais e mais... As vezes eu penso que teria sido muito melhor, ou pelo menos mais fácil, ter crescido sem gostar de você... Talvez se essa fosse a realidade, eu hoje poderia ir ao festival com minhas amigas e me divertir como uma garota comum, ao invés de sair escondida de casa para ir ver os fogos sozinha... Sabe, tem vezes que eu tento esquecer tudo. Mas em momentos como esses eu sei que acabaria lembrando de novo e de novo...
 – Você se lembra do nosso último festival?
Eu me lembrava... Aquela noite estava muito semelhante a essa. O vento soprava gentilmente, fazendo com que o som das árvores se misturasse com a música do festival, que nós podíamos ouvir já muito fraca daquela distância. Nos sentamos na mesma calçada em que eu agora descansava e rimos enquanto tentávamos imitar o som da banda tão distante...
 – Hyu – ru – ri –ra... Era assim, não é?
Nishiki kamuro
A caminhada até nosso local secreto foi mais demorada do que de costume naquele ano. Você tinha me dito que precisava me contar algo naquela noite, mas que queria fazer isso em um lugar especial. Você me disse que iria embora quando o verão acabasse, pois seus pais queriam que você estudasse no exterior. Aquilo me devastou. O verão já estava próximo de seu fim, afinal... Aquele pensamento machucava meu coração de uma forma quase insuportável. Mas eu não queria ficar triste naquele momento. Eu queria poder aproveitar cada momento daquela noite, já que poderia ser a última. Uma nishiki kamuro floresceu no ceu estrelado. Aquela foi a primeira vez. Mais uma vez, você olhava fixamente paro os fogos, enquanto eu roubava uma visão de seu rosto. Aquela foi a última vez... Um erro transformou aquela noite de despedida em um começo para algo que não duraria nem mesmo uma estação. Um coração invertido disparado no ceu nos fez rir enquanto olhávamos nos olhos um do outro. “eu te amo” você disse antes de me beijar... Aquela foi a primeira e a última vez...
Se eu ao menos nunca tivesse descoberto esses sentimentos... Se aquela noite em que nos perdemos nunca tivesse existido... Me pergunto se assim eu sofreria menos... Eu gostaria de conseguir esquecer tudo... Absolutamente tudo sobre você. Cada pequena memória, seja feliz ou triste, é capaz de quebram em pedaços meu pobre coração.
 – Por que nos encontramos, então?
Nós nunca mais poderemos nos encontrar novamente, eu sei disso... Mas mesmo sabendo que é egoísta e irracional de minha parte, mas eu quero te ver... Quero muito te ver! Quero voltar a ver seu sorriso, quero poder segurar a sua mão mais uma vez... Sentir novamente aquela paz que eu só sentia quando você estava ao meu lado... Mesmo hoje, não consigo aceitar que você não está mais aqui... Quando fecho meus olhos eu ainda posso sentir sua presença... Não importa o quanto eu queira esquecer, eu ainda me lembro todos os dias daquela última noite de verão em que você estava ao meu lado...
Com um suspiro doce ainda carregado de sentimentos, eu lembrei de quando me apaixonei por você. O brilho e a confiança que seus olhos transmitiam. A força suave de sua voz. Cada traço de sua personalidade me completava de maneira única e perfeita. Aos poucos, o tempo foi deslizando em direção ao passado e, antes que eu me desse conta, um ano havia se passado. Eu ainda buscava seu rosto em minhas memórias e em meus sonhos, no entanto. Os fogos de artifício que eu assisti, sozinha, me fizeram sentir um aperto diferente no peito. Uma dor aguda atravessava meu coração quando me lembrava de que mais uma vez a nova estação estava para chegar e com ela, as lembranças daquele dia em que eu soube que você não estava mais aqui. Quando o coração foi disparado, dessa vez do lado correto, senti, apenas por um instante, que estava de volta àquela nossa última noite de verão... Sentindo sua presença mais forte do que nunca, pela primeira vez fui capaz de dizer aquela palavra tão difícil... Com lágrimas de tristeza e solidão nos olhos, finalmente pude me despedir de você.

 – Adeus...

sábado, 15 de março de 2014

O despertar

Um beijo me acordou. Um beijo quente, distante e cruel. Me arrancou das profundezas dos meus pensamentos inconscientes. Para ser bem sincero, não tenho ideia do que se passava em minha mente até o momento em que despertei, apenas para que pudesse sussurrar seu nome, "Elisabeth". Por alguma razão, mesmo que não houvesse outra opção, atribuir o beijo a ela parecia errado. Pelo menos o suficiente para que por mais que me esforçasse, minha voz não produzisse nada além de um sussurro seco, quase imaginário. Ainda assim, ouvi-a chamando de volta naquele beijo macio, claro como cristal, talvez apenas o suficiente para me fazer abrir meus olhos.
Uma mão cobria meus olhos, fria e grudenta de sangue, o cheiro era horrível, misturando vísceras, suor, sangue e outras coisas. Sentia um peso terrível sobre mim e quando me mexi, me vi cercado por corpos, eles me olhavam com seus olhos vazios, me seguravam com seus braços sem vida, e eu lutei contra eles, naquela escuridão claustrofóbica, um a um, escavei meu caminho por entre aquela pilha de indigentes mortos. Por mais de uma vez senti a pressão de uma arcada dentária solta, de um órgão arrebentado.
Em liberdade, os chutei para longe. A única luz vinha de uma sala no fim de um longo corredor. Ecos vinham em minha direção, traziam risadas e palavras ainda indistintas, cruzando com o arrastar dos meus pés por sobre o que me pareceu vidro quebrado. Foi quando senti a dor no meu peito, eu havia sido furado em mais de um lugar, precisava de um hospital ou algo do tipo. Minha visão perdia o foco e a cada passo eu me perdia cada vez mais.
"Socorro, por favor..." tentei gritar, mas não consegui. "Só mais alguns passos", tentei me convencer, a luz estava a não mais que alguns metros.
"Por favor..." não senti o impacto do chão, mas o vi chegando perto.
"Elisabeth..." tão errado quanto da primeira vez, mas desta vez ouvi uma voz desconhecida responder "Puta que pariu!"

terça-feira, 11 de março de 2014

Amar é...

Amar, sentimento puro, único, mas que pode ser manifestado de diferentes maneiras: amor de irmão, mãe, amigo, namorado e por ai vai. É uma força tão ampla e mágica, que nem todos podem ter posse ou sentir a magia de amar e ser amado. É complexo, mas podemos tornar mais fácil se realmente estivermos dispostos a seguir em frente e enfrentar os medos e obstáculos. Mas o amor tem coisas boas, que quem sabe o verdadeiro significado sabe aproveitar, quer sente o que é o amor sabe como deixá-lo maior, melhor. Eu acho que quem tem amor no coração tem tudo, tudo é baseado no amor. Eu respiro amor.


Amor, é o sentimento mais difícil e impossível de se guardar em um potinho de poções.
Amor é ódio.
Amor é doentio.
E amor é milagroso.


Amor pelo time de futebol
Você ama alguém quando sente um sentimento único por essa pessoa, um sentimento que você só consegue sentir com aquela pessoa e que não sabe explicar, é fazer coisas que você não faz geralmente, mas que por alguma razão, fica super feliz em fazê-las.
São duas coisas que só acontecem quando você ama alguém.


É quando você sente uma afinidade muito mais especial e diferente com alguém do que você tem com seus amigos.
E você sente que o abraço dessa pessoa te faz ficar meio fora do planeta.
Quando você fica muito ansioso em pensar que está se aproximando da pessoa que você gosta.
E querer compartilhar muitos momentos especiais com essa pessoa.


Amar é uma escolha, não é um sentimento. É um compromisso, pois quando você ama você tem o compromisso de fazer o outro feliz.


Amor a gente não define, a gente sente.


É feliz. Apesar de tudo, você não cansa de estar junto, nem mesmo das partes chatas. Quando você está com a pessoa parece certo.



Amor é importante e especial, não é uma coisa que se descarte sem o menor respeito - Timmy Turner



O amor faz com que a pessoa se sinta muito feliz quando está perto de algo ou alguém que ela ama.
O amor faz a pessoa dar o melhor de si para fazer feliz o que ou quem ela ama, porque isso o deixa feliz também.
O amor não ignora as diferenças (ideias, modo de agir etc.), mas as respeita e consegue conviver em harmonia com elas.
O amor faz a pessoa perceber as qualidades e a beleza em algo ou alguém que ela ama.
O amor faz a pessoa se preocupar com a segurança de alguém ou algo que ela ama.
O amor faz a pessoa perdoar.
O amor faz com que a pessoa tenha um relacionamento sincero.
O Amor e aquilo que faz você morrer por alguém com um grande sorriso no rosto.




Amar não significa estar junto, mas querer ver a pessoa feliz, mesmo que isso custe a sua felicidade.



Amar é cuidar da outra pessoa, pelo menos querer cuidar



É o que eu sinto pela minha namorada



Amar pode ter varias interpretações.
É quando você gosta tanto de alguém que você daria a sua vida pra salvar a dela.
É quando você reconhece que os momentos com a maior paz na sua vida é quando você esta ao lado da pessoa que você ama.



Acredito que amar alguém é ter certeza que aquela pessoa mudou a sua vida completamente. É muito além de acordar pensando na pessoa, de mandar mensagens bonitinhas e de fazer juras de amor para a pessoa. Claro que essas coisas são importantes e fazem você e seu amado se sentirem bem, mas amar é querer que esse sentimento se renove todos os dias, que essa pessoa saiba o quanto ela é especial para você e dar um bom dia verdadeiro. Toda vez que você estiver se sentindo triste, ele vai ser a primeira pessoa que você vai procurar e vai ser a ultima todos os dias, antes de dormir. Quando você estiver longe dele vai ficar triste e ficar com aquela sensação de choro preso na garganta e quando você estiver perto vai querer que esse momento nunca acabe. Quando a pessoa tiver triste você vai entrar em desespero achando que é com você e se não for com você vai ficar mais ainda em desespero querendo matar quem foi que deixou ele desse jeito. Quando você mudar o cabelo e falar que não gostou e ele falar que você tá linda você vai falar discordar e falar que ele tá falando isso só pra te agradar, mas seu coração na verdade vai estar palpitando porque você cortou daquele jeito esperando que ele também gostasse. É ficar lendo as cartinhas antigas com as lágrimas pulando pra fora dos olhos. É achar graça quando ele faz uma piadinha sem graça. É ficar ansiosa quando vocês vão sair. É aprender a cozinhar só pra fazer a comida favorita dele. É ficar com a boca inchada em algum dia especial. É usar a cor favorita dele pra fazer uma surpresa algum dia. Enfim, é não esquecer do porque de você ter escolhido ele, justo ele. 




Amor é indefinível.