- Doutor!
- Sim? Ah, general, tudo bem com o senhor?
- Isso vai depender do que o senhor me responder. Já terminou de analisar o espécime que lhe foi enviado?
- Sim. Ele é simplesmente singular. Estava lendo os relatórios que o exército enviou junto com o corpo. Se me permite, general, onde ele foi encontrado?
- Nós o capturamos perto do mar. Matou seis soldados antes de sucumbir. Confesso envergonhadamente que não foi por nenhum esforço nosso, ele parece ter sufocado. O que você achou?
- Bom, eu confesso que nunca tinha visto nada similar. Antes de ser chamado pelo exército eu ainda acreditava que as notícias eram apenas um jogo da mídia. A primeira coisa que percebi é a grossura da pele. Mandei uma amostra para análise, a composição é bem similar à nossa, mas parece ser uma sobreposição de várias e várias camadas de pele.
- Parece?
- Entenda, general, esse é o primeiro espécime a que tivemos acesso para estudo. Posso lhe fornecer algumas informações, mas a nossa equipe, por enquanto, só pode inferir sobre as características anatômicas que desconhecemos. Talvez, se pudéssemos adquirir um deles vivo, ou nos comunicar com eles, teríamos muito mais informações.
- Baseado no estrago que esse e o parceiro dele, que fugiu numa espécie de cápsula espacial, fizeram, eu gostaria que esse fosse o último que víssemos. Prossiga.
- A pele dele, apesar de bem mais resistente e grossa que a nossa, não é de todo, impenetrável. Os tiros disparados contra ele praticamente não atravessaram a armadura que ele vestia, exceto por esse nas costas, mas não sei quanto dano ele sofreu. Acertou o osso, mas a densidade deles é incrível, combinada com os fluidos no seu interior, acredito que estamos diante de um dos materiais mais resistentes que conhecemos.
- E como você tirou os ossos?
- Bem, como poucas de minhas ferramentas conseguiam atravessa-los, resolvi fazer a maior parte da dissecção escavando os músculos, quebrando apenas alguns poucos ossos para ver se haviam diferenças muito grandes entre eles. Curiosamente não há tantas diferenças nesse aspecto. A grande força física dele se dá justamente por ter músculos muito maiores que os nossos e ossos mais resistentes. Fazendo uma inferência, imagino que a gravidade no planeta dele é maior do que aqui, daí seu tamanho. O maior problema foi analisar os órgãos internos, Pela posição dos ossos, tivemos alguma dificuldade para removê-los. Alguns foram danificados no processo. A remoção parcial do cérebro só foi possível através das cavidades oculares. Apesar de todas as diferenças estruturais, a composição básica dele é carbono, como a nossa. A diferença está mais na quantidade de H2O e a concentração de metais, isso aparentemente aumenta a transmissão de impulsos, muito maiores. Isso aliado à acuidade visual que as células dos olhos indicam, devia dar a ele reflexos muito bons. Infelizmente isso também faz que as secreções de sua pele sejam altamente corrosivas. Elas também evaporam rápido nas nossas condições ambientes. Por isso estamos de máscara.
- E a armadura?
- Bem, eu mandei para a análise, mas os resultados ainda não chegaram. Apesar de ter entregue o mais rápido o possível por possivelmente ser radioativa, dei uma olhada nos símbolos, mas evidentemente não compreendi nada.
- Possivelmente também não compreenderão. Para isso acho que só um deles poderia nos explicar. Mas caso haja algum contato com eles novamente no futuro, duvido que será de natureza pacífica. O companheiro dele possivelmente contará histórias sobre "as criaturas alienígenas que os atacaram sem razão". O fato de eles terem destruído dezenas de casas e um templo cheio de fiéis na sua chegada possivelmente nem constará em seu relatório. Se é que essas abominações conhecem o termo. O que mais conseguiu extrair, doutor?
- Bem, general. Os pulmões dele aparentemente são seccionados em cinco subpartes e pela alta vascularização, estimo que ele conseguiria percorrer distâncias enormes antes de se exaurir. Os dentes dele também são de uma resistência inimaginável. Acredito que partiria um de nós numa única mordida, se decidisse faze-lo. O coração também é uma máquina. Voltou a bater assim que o pusemos em água. Por sorte já estava fora do corpo, caso contrário acho que a criatura voltaria a vida. Posso estar sendo influenciado pelas obras de ficção, general, mas eu consideraria a possibilidade de essas serem apenas as unidades de reconhecimento, antes que algo muito pior possa vir à nós.
- Espero que não, doutor.
- Há alguma informação de onde ele possa ter vindo?
- Sim, doutor. Sabemos precisamente de onde ele veio, infelizmente somos o planeta mais próximo do deles.
- Está querendo dizer que eles são do nosso sistema? Espere, não pode ser verdade isso. Eles não podem ter vindo de... Por favor, general, me diga que isso não é verdade.
- Sim, doutor. A inteligência já descobriu que esse espécime é um representante da raça dominante do Planeta de Água, o terceiro a partir da nossa estrela.
domingo, 30 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Viver!
Vivo para sonhar
Vivo para dançar
Vivo para comer
Vivo para beijar
Vivo cada dia
Como único dia
Como se amanhã não importasse
Vivo para amar
Vivo para sorrir
Vivo para entender
Vivo para descobrir
Ontem acabou
Hoje não se repetirá
Amanhã? Amanhã ninguém
Ninguém sabe como será
Vivo para chorar
Vivo para ler
Vivo para ouvir
Vivo para viver!
domingo, 23 de março de 2014
E assim eu te Encontrei...
–
Estou em casa!
–
Bem vindo de volta... O que aconteceu, Raiden?
–
Não foi nada... Eu apenas caí no caminho.
–
De novo? Você tem que tomar mais cuidado, meu filho...
–
Eu sei... Desculpe-me.
–
Está tudo bem. O importante é que você não se machucou. – Ela sorriu. – Agora vá
tomar um banho, pois o jantar está quase pronto.
Era horrível ter que mentir para minha
mãe, mas essa é a única forma de poupá-la da triste verdade por trás da sujeira
em minha roupa e dos constantes machucados misteriosos. Para ser sincero, não
acho que ela acredite em mim quando digo que apenas levei um tombo. No fundo,
acho que ela sabe que eu sofro por causa de minha aparência, mas ela não pode
admitir isso para si mesma, do contrário começaria a se sentir culpada
novamente. Não que fosse realmente culpa dela o fato de eu ter nascido com um
rosto tão assustador. Ninguém tinha culpa disso, mas sempre que pensava nisso,
mamãe sofria e se sentia mal pelo que eu passava na escola. Para evitar que ela
se sentisse assim, eu passei a esconder o que acontecia e apenas dizia que
tinha caído em algum lugar... Eu apenas não conseguia mais vê-la sofrer...
Após tomar banho, fui jantar com minha
mãe. Meu pai trabalhava no exterior, então éramos apenas nós dois naquela casa
enorme. Isso era um pouco triste, mas eu me sentia feliz por ter minha mãe por
perto. Sempre conversávamos sobre diversos assuntos durante o jantar, desde
política e economia até esportes e mangás! Então não importava o quanto eu
sofresse durante o dia, desde que eu pudesse ver o sorriso de minha mãe a
noite, eu estava feliz. A conversa naquela noite foi sobre a mudança que
ocorreria dali a dois dias.
–
Você já terminou de empacotar suas coisas?
–
Quase tudo. Só falta o meu material de trabalho. Já desci com a maior parte das
caixas, então acredito que até amanhã à noite eu termine.
–
Gostaria que eu o ajudasse?
–
Não precisa, mãe! Além disso, você também tem trabalho a fazer, não é?
–
É verdade... Ainda tenho que limpar os quartos...
–
Eu irei ajudar!
–
Mas você não tem que cumprir o prazo?
–
Não se preocupe! Já tenho 90% das imagens concluídas e bastante tempo de prazo!
–
Tem certeza?
–
Claro que sim! A Editora me deu alguns dias a mais por causa da mudança.
–
Eles realmente gostam dos seus desenhos, não é? Tenho tanto orgulho de você!
–
Não fale assim... Eu fico sem graça, você sabe... Mas, fora isso, quando eles
vão se mudar?
–
Acredito que cheguem no Domingo.
–
Tão depressa... Eles devem mesmo estar com pressa, não é?
–
Não sei dos detalhes, mas parece que a Empresa na qual o Senhor Takeda vai
trabalhar quer que ele comece já na Segunda...
–
Entendo...
–
Eles tem uma filha com sua idade, sabia?
–
Ah é...?
Uma garota? Aquilo me surpreendeu...
Nunca imaginei ter uma garota vivendo tão próxima a mim... Eu já conseguia
visualizar ela me evitando e fingindo que não me conhece quando alguém a
questionasse. Aquela cena ilusória tirou meu apetite. Dizendo que iria trabalhar
um pouco antes de dormir, me despedi de minha mãe e voltei ao meu quarto.
Apenas minha mesa e meu equipamento ainda estavam lá, mas eles eram tudo que eu
precisava para me distrair. Enquanto desenhava as cenas do novo capítulo do meu
mangá, o mundo parecia desaparecer e todos os meus problemas e frustrações
tornavam-se insignificantes.
–
Ah, como eu queria que você fosse real, Ueno-chan...
. . .
O som de pessoas subindo e descendo a
escada me acordou. Era Domingo, então imaginei que aqueles sons fossem os
Takeda levando suas coisas para o andar de cima, aonde morariam a partir de
hoje. Era um pouco estranho imaginar que passaríamos a dividir a casa com eles,
afinal até então éramos apenas mamãe e eu. Na verdade, o que mais me
amedrontava, era como eles reagiriam ao me ver... Será que me evitariam como
todos os outros adultos? Ou seriam rudes? Será que seriam gentis? Eu queria
saber e ao mesmo tempo tinha medo de descobrir... Com receio, decidi sair do
quarto.
–
Ah! Você acordou Raiden! Rápido, venha aqui se apresentar. – Minha mãe disse ao
me ver.
Fui na direção em que ela estava e, como
imaginei, encontrei os três membros da Família Takeda na sala de estar. Nenhum
deles pareceu ficar surpreso ao me ver, o que me fez me sentir um pouco
estranho. Era a primeira vez que conhecia pessoas que não me olhavam torto ao
me ver pela primeira vez. O Senhor Takeda era um homem alto e de bom porte
físico. Assim que me viu, sorriu gentilmente e se apressou em vir até mim para
me cumprimentar formalmente. Atrás dele, a Senhora Takeda e a filha fizeram o
mesmo.
–
Muito prazer! Meu nome é Takeda Hayato. Espero que possamos nos dar bem de
agora em diante!
–
O prazer é meu. Eu sou Kudo Raiden.
–
Raiden-kun, então? – Perguntou a Senhora Takeda. – Muito prazer! Eu sou Takeda
Kurumi.
–
Muito prazer, Kurumi-san.
–
Agora é sua vez... Se apresente...
–
Eu sou Takeda Ueno...
Eu não havia notado até estar frente a
frente com ela, mas aquele longo cabelo castanho com uma única trança lateral
caindo sobre o ombro direito, a pele clara e os olhos verdes a tornavam uma
imagem viva da heroína do meu mangá. Além disso, ela também se chamava Ueno? Estava
tão surpreso que nem mesmo me dei conta que ela havia saído da sala. O Senhor
Takeda desculpava-se pela má educação da filha enquanto eu tentava acalmá-lo
dizendo que não me importava com o ocorrido. Eu estava surpreso demais para me
importar...
A noite, fiquei pensando no quanto
aquilo era inacreditável. Uma garota que era a cara da personagem criada por
mim e que, ainda por cima, tinha o mesmo nome? Isso era completamente absurdo!
Não consegui trabalhar pela primeira vez em muito tempo, pois apenas a Ueno
real me vinha a cabeça. Acabei adormecendo.
. . .
Na manhã seguinte, saí de casa antes que
os Takeda acordassem. Para ser sincero, eu apenas não queria que Ueno-san me
visse, então fui bem cedo para a escola. Enquanto caminhava, me lembrei que ela
tinha a mesma idade que eu e, portanto, também deveria estar no mesmo ano que
eu. Imaginei para que escola ela iria. Provavelmente para a mesma que eu
frequentava, pois era a mais próxima de casa. A resposta veio mais tarde
naquele mesmo dia, quando Ueno-san se apresentou a todos de minha turma.
Embora tenha tido que se sentar ao meu
lado, ela nem sequer olhou em minha direção uma vez sequer. Admito que ser
ignorado daquela maneira me incomodou, mas achei melhor não tentar falar com
ela. Afinal, eu sabia que ela odiaria ser associada a alguém com uma aparência
como a minha, no fim das contas. No entanto, ser ignorado não era tão ruim,
afinal, pela primeira vez em muito tempo eu consegui comer meu lanche em paz no
intervalo, uma vez que todas as atenções estavam voltadas para a aluna
transferida e não para o cara de aparência bizarra... Silenciosamente agradeci
pela presença dela e, discretamente, deixei a sala.
Os dias foram se passando e Ueno-san
tornou-se amiga de todos na classe. Embora eu me sentisse agradecido por não
estar sendo importunado, eu me sentia um pouco solitário pelo fato de ser
ignorado por ela. Percebi que aos poucos, a visão que eu tinha dela ia se
tornando diferente. Se no começo era apenas espanto pela semelhança dela com
minha personagem, com o tempo aquilo se tornou admiração. Eu a via sorrir
enquanto conversava com as amigas e aquilo bastava para fazer meu coração
palpitar. Ela era tão gentil com todos... Estava sempre disposta a ajudar
alguém em dificuldades... Percebi que não era apenas na aparência que ela me
lembrava de minha Ueno-chan, mas também na atitude gentil e determinada. Não
sei quando percebi que estava apaixonado, mas isso não fazia muita diferença,
afinal eu tinha certeza que ela me odiava.
Eu havia me acostumado a passar meu
tempo livre em silêncio, observando-a de longe. As pessoas pareciam ter se esquecido
de mim desde a chegada dela, então eu tinha me permitido baixar a guarda. No
entanto, eu deveria saber que aquela paz seria temporária. Com as pessoas se
acostumando com a presença de Ueno-san, tudo voltaria a ser como era antes.
Naquela tarde, depois de muito tempo, as pessoas se reuniram com os
tradicionais frutos podres e ovos. As risadas ecoavam em minha cabeça enquanto
as pessoas atiravam tudo o que tinham em mãos em minha direção. Só o que me
restava fazer era esperar até que todos se cansassem e, então, ir para casa...
Eu já estava acostumado, no fim das contas...
. . .
Após tomar banho decidi trabalhar em meu
mangá para me distrair. Aquilo sempre funcionara, afinal. Porém, ao entrar em
meu quarto tive uma grande surpresa! Ele não estava vazio como de costume. Ela
estava lá. Ela nunca havia falado comigo em casa, mas agora estava em meu
quarto olhando para... Meu mangá!
–
Ei! Isso não é....
–
Ah, você voltou. – Ela não parecia surpresa ou chateada com o que havia visto. –
Eu vi esses desenhos na sua mesa... Foi você quem os fez?
–
Sim... Mas isso não...
–
Sabe, eu realmente gosto deste mangá... Até mudei meu visual para ficar mais
parecida com a Ueno-chan.
Eu estava sem palavras. Aquilo estava
mesmo acontecendo? Parecia tão surreal!
–
Eu escutei quando você mentiu para sua mãe... – Ela disse ainda olhando para os
desenhos. – Por que fez isso?
–
Você ouviu isso? Sinto muito por isso...
–
Tudo bem... Mas por que?
–
Para que ela não fique se culpando.
–
E por que ela faria isso?
–
Por causa do meu rosto... Eu nasci com esse rosto assustador e desde criança
tenho sofrido maus tratos por causa de minha aparência. Mamãe sempre se culpou
por isso... Dizia que era culpa dela eu sofrer desse jeito... Por isso eu
passei a esconder dela que ainda era provocado e humilhado todos os dias... Não
acho que ela acredite em mim de verdade, mas pelo menos assim ela é capaz de
sorrir para mim todas as noites...
–
Hum... Então é por isso...
–
Sim...
–
Mas por que você aceita que façam isso com você, afinal?
–
Porque só assim isso vai acabar... – Eu me sentei. – Eu acredito que um dia
eles vão se cansar de mim...
–
Você é mesmo uma pessoa boa, não é? – Ela virou-se para mim.
–
Não sei se posso concordar com isso...
–
Mas é a verdade, não é? Você sempre prepara o café da manhã para todos antes de
sair não é? E sempre que alguém esquece a lição você joga a sua para que a
pessoa encontre e use como dela e recebe a bronca no lugar dela. Você sempre
limpa a sala e cuida das plantas mesmo que não seja seu dia de fazer isso. Além
disso você escreve o mangá da Ueno-chan, então você é mesmo uma pessoa boa...
–
Eu...
–
Bom, não vou te dizer o que fazer, mas não é legal mentir para sua mãe... – Ela
se levantou e foi em direção a porta.
–
Ei...! – Chamei. – Posso te perguntar uma coisa?
–
Apenas uma.
–
Por que você nunca fala comigo na Escola?
–
Porque você nunca se apresentou formalmente.
–
Ah... Entendo... Então é isso...
–
Sabe, você não precisa passar por tudo sozinho... – Dizendo isso ela se foi,
fechando a porta do quarto.
Meu coração estava queimando. Aquela era
a primeira vez que conversávamos de verdade. Até então nossas interações
baseavam-se apenas em cumprimentos formais quando nos víamos em casa e nada
além disso. Mas naquele momento eu percebi que ela me observava muito mais do
que eu poderia imaginar. Ela havia reparado em muitas das coisas que eu fazia
em segredo. Enquanto esperava o sono chegar, desejei que aquilo não fosse um
sonho... Desejei que não fosse mera coincidência nossos caminhos terem se
cruzado... Desejei que pudéssemos ter conversas como aquela mais vezes...
Desejei que eu pudesse estar ao lado dela... Mas logo antes de adormecer eu me
lembrei que deixei de acreditar nesse tipo de milagre há muito tempo.
. . .
No dia seguinte, acordei mais cedo como
sempre fizera, mas fui surpreendido pela presença dela na cozinha. Ela estava
terminando de preparar o café da manhã. Quando notou minha presença, ela apenas
sorriu e me apontou uma cadeira. Obediente, sentei-me e ela trouxe a minha
parte. Eu estava confuso como aquela situação.
–
É bom, viu? – Ela disse. – Quando alguém cuida de você...
Pela primeira vez desde que ela havia se
mudado, fomos juntos para a Escola. Não lado a lado, é verdade, mas mesmo assim
era algo que eu jamais imaginara ser possível. Eu me sentia em feliz como há
muito não me sentia. Era como se tudo o que eu passei durante todos aqueles
anos não tivesse a menor importância desde que ela estivesse comigo... Aquela
paz, entretanto, parecia que iria chegar ao fim quando as amigas dela
apareceram.
–
Aquele cara está sorrindo enquanto olha na sua direção, Ueno...
–
É nojento!
–
O que você quer aqui? Por acaso você pretende atacar a pobre Ueno?
–
Tarado! Qual é a sua? Vê se desaparece de uma vez!
–
Me desculpem... – Disse baixando a cabeça. – Me desculpem! – Uma lágrima desceu
pelo meu rosto. Por que eu estava chorando? Eu já estava acostumado a ser
tratado assim...
–
Eu o conheço. – A voz de Ueno-san chegou até mim. – Ele é uma boa pessoa, então
vocês não deveriam falar assim com ele...
Ela estava me defendendo? Não era
possível. Eu estava atordoado e as amigas dela pareciam estar sem palavras.
Aquela era a primeira vez que alguém me defendia. Senti o toque dela em meu
ombro. Ela perguntou se estava tudo bem e sorriu quando eu disse que sim. Eu
podia sentir os olhares surpresos de todos ao nosso redor, mas eu não me
importava... Eu apenas queria que aquele momento durasse para sempre... Ela era
tão forte e tão gentil... Minha admiração por ela crescia exponencialmente a
cada segundo que passava.
. . .
–
Eu soube que a Ueno-san protegeu aquele cara estranho...
–
Eu também escutei sobre isso... Qual o problema dela?
–
Talvez ela goste de caras como ele...
–
Deve ser isso...
–
E ela parecia ser uma pessoa tão normal...
–
Acho melhor deixarmos ela de lado...
As pessoas da minha Escola podiam ser cruéis
quando queriam. Eu sabia muito bem disso, pois já havia experimentado essa
crueldade centenas de vezes nos últimos anos. No entanto, Ueno-san não sabia
disso quando decidiu me ajudar na manhã anterior. Desde que o assunto se
espalhou, ela passou a ser tratada de forma fria por quase todos os alunos. Eu me
sentia culpado pelo ocorrido, mas sempre que eu tentava me desculpar, ela me
interrompia e dizia que estava tudo bem com um sorriso no rosto. Ela realmente
era muito mais forte do que eu poderia ser... Ou ao menos era isso no que eu
acreditava...
Duas semanas haviam se passado desde o
ocorrido e a forma como as pessoas se referiam a Ueno-san piorava cada vez
mais. Ela, no entanto, não parecia se importar com isso. Todos os dias, na hora
do almoço, ela saia da sala e me dizia que iria almoçar sozinha. Quando a
perguntei o motivo, ela limitou-se a sorrir e dizer que era um segredo dela. No
princípio achei que não fosse nada importante, mas depois de algum tempo
comecei a achar que essa atitude era suspeita e acabei ficando preocupado.
Decidi segui-la. Sei que isso não é a
coisa mais correta a se fazer, mas eu temia que ela pudesse estar sendo
humilhada como eu sempre era. Sem que ela percebesse, fui atrás dela naquele
dia. Surpreendentemente, o local para o qual ela sempre ia durante o almoço era
o mesmo lugar no qual eu me refugiava quando mais novo: o terraço. Aquele lugar
me trazia muitas lembranças, apesar da última delas ser horrível. No entanto,
eu não tinha tempo para pensar nisso. Eu estava ali apenas para descobrir o que
Ueno-san vinha fazendo todos os dias... Olhei em volta a procura dela e a vi
sentada em um canto com a cabeça baixa. Hesitei um pouco antes de decidir me
aproximar. Ao vê-la de mais perto, notei que ela estava chorando.
Naquele instante eu percebi o quão
impotente eu era. Não havia sido capaz de perceber o quanto ela estava sofrendo
em silêncio mesmo vivendo sob o mesmo teto. Eu era realmente patético. Ela ainda
não havia notado minha presença, então estava me virando para ir embora quando
a escutei. A princípio pensei ser minha imaginação, mas a voz dela continuava a
ecoar em minha mente. Aquela curta frase que ela repetia de novo e de novo fez
com que meu coração palpitasse...
–
Alguém... Me encontre...
O que ela estava dizendo? Por que ela
estava dizendo aquilo? Ela queria que alguém a encontrasse? Que alguém a
salvasse? Só então eu soube que ela era igual a mim. Alguém que fingia não se
importar com nada que fosse dito ou feito, mas que na verdade estava em prantos
por dentro. Ela precisava de ajuda. Precisava que alguém ficasse ao lado dela
da mesma forma que ela havia ficado ao meu. Não importava que eu fosse quem eu
era... Naquele momento, eu não poderia hesitar. Ela estava esperando...
–
Eu te encontrei... – Disse, sem graça.
Ela pareceu assustada ao perceber minha
presença.
–
O que? Por que você...?
–
Por nada...
–
O que você quer? – Ela enxugou os olhos, tentando conter as lágrimas.
–
Fingindo ser forte, mas chorando por dentro... Hum... Você é quase igual a
mim...
–
O que quer dizer?
–
Exatamente o que eu disse.
Após alguns instantes de silêncio, ela
sorriu. Era muito bom vê-la sorrir depois de tudo, mas ela também chorava. Não
soube se por não conseguir segurar as lágrimas ou se por não querer mais
segurá-las. Eu não sabia o que fazer, então apenas fiquei ali, olhando para
ela. Nossos olhos se encontraram por um momento.
–
Obrigado. – Ela disse.
Eu havia encontrado. Eu finalmente havia
encontrado. Alguém com quem eu pudesse caminhar junto. Estava tão feliz que era
difícil acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Vê-la daquela forma tão
frágil, completamente diferente da imagem forte que ela mostrava aos outros, me
fez perceber que eu poderia, um dia, estar ao lado dela. Que eu poderia protege-la
desde que eu me tornasse forte o bastante para isso. Eu havia encontrado um
motivo para continuar em frente.
–
Eu estarei sempre com você. – Eu disse ao abraça-la.
Ela aceitou meu abraço como se já o
esperasse há muito tempo. Eu não tinha mais dúvidas. Certamente, o dia em que
minha mão esquerda e a mão direita dela irão se apertar forte iria chegar. E
quando chegasse, eu jamais a soltaria... Jamais a deixaria ir embora.
. . .
–
Foi assim que eu te encontrei...
terça-feira, 18 de março de 2014
Questões
Poderá uma armadura amar?
Poderá a sombra querer a Luz?
e o Sol, encontra com a Lua?
As estrelas e o luar, envolvendo casais apaixonados
poderão eles amar o humanos? ou amar outra coisa?
A vida e a morte, poderão elas se amarem?
se uma existe, a outra não poderá existir.
Será que elas se encontram na tênue linha vida-morte?
O que é isso que chamamos de amor?
é somente gostar? proteger? não machucar?
ou ver um sorriso e sorrir também?
Poderá alguém amar uma armadura?
Poderá a Luz amar a sombra?
Poderá a Lua amar o Sol?
Poderá o amor amar?
domingo, 16 de março de 2014
Fogos de Artifício
– Ei, Makino! Makino! Você vai ao
Festival neste fim de semana? Soube que a queima de fogos será ainda maior do
que a do ano passado...
–
Ei! Não diga essas coisas... Você sabe que ela...
–
Não se preocupe, Haruna. Eu estou bem. – Fingi um sorriso. – Ainda não sei se
vou, Karen... Não sei se quero ir...
Depois de minha resposta mais sincera do
que deveria ter sido, minhas amigas concordaram em me deixar sozinha. Embora
elas sorrissem quando saíram da Enfermaria, eu sabia que no fundo elas estavam
preocupadas comigo. Eu me sentia um pouco feliz por saber disso, mas nem assim
eu conseguia mostrar a elas um sorriso verdadeiro. Não consegui mostrar isso a
ninguém durante o último ano. Eu sabia que isso tornava todos ao meu redor um
pouco infelizes, afinal eles desejavam meu bem. Mas mesmo assim eu não
conseguia esquecer...
Acabei indo para casa naquele dia,
ignorando as aulas da tarde. Eu não estava mesmo em condições de prestar
qualquer atenção. Meus pais trabalham até tarde, então estaria sozinha em casa,
o que era perfeito, pois não estava com vontade de ver e muito menos falar com
alguém. Tudo o que eu queria era me refugiar no meu quarto, como sempre fazia
nesses momentos de tristeza, e por algumas horas esquecer de tudo e todos, exceto
de você...
-
Sabe, meu quarto ainda está do mesmo jeito que você viu da última vez... Você
se lembra?
Eu já havia me acostumado com a falta de
resposta, mas o silêncio ainda era doloroso o bastante para me fazer chorar.
Durante o último ano, eu chorei todos os dias, mesmo que não quisesse fazer
isso... Aquele quarto me trazia várias memórias dos nossos dias juntos...
Passamos tanto tempo brincando aqui que seu cheiro tornou-se parte do quarto...
Mas agora mesmo ele desapareceu...
-
Por quê? Por que você teve que desaparecer? – Minha voz falhava por causa de
minhas lágrimas e soluços.
Mais uma vez eu estava em prantos, sem
ter a quem recorrer, afinal você era o único que sempre estava lá por mim
quando eu chorava. Você sempre me abraçava e dizia que tudo iria ficar bem...
Sempre sorria quando eu estava triste e isso era muito mais do que o suficiente
para me fazer esquecer qualquer coisa... Você sempre sabia o que dizer ou o que
fazer... Você sempre cuidou de mim...
–
Por quê você não sorri mais?
Os dias passavam cada vez mais rápido ao
longo da semana e as conversas sobre o festival ficavam cada vez mais intensas.
No começo, todos evitavam falar sobre esse assunto enquanto eu estava por
perto, mas a medida que o fim de semana tão esperado se aproximava, minha
presença tornava-se despercebida diante da empolgação de todos. Mesmo minhas
amigas mais próximas pareciam não mais se importar em tocar no assunto comigo
presente.
–
Estou tão empolgada! Eu queria saber de algum bom lugar para ver os fogos...
–
Eu também gostaria, mas acho que teremos que nos contentar com o lugar de
sempre...
–
Mas vai estar tão cheio!
–
Não adianta fazer essa cara, Karen... É o único lugar que conhecemos...
–
Você sabe de algum bom lugar, Makino? Ah! Desculpa!
–
Não tem problema. Eu sei que vocês estão empolgadas... – Mais uma vez eu era
forçada a fingir um sorriso para elas. – Mas é uma pena... Não sei de nenhum
lugar assim.
Era mentira. Eu conhecia um excelente
lugar, mas não podia dizer isso a elas. Aquele era o nosso lugar, afinal...
Sempre íamos lá para assistir os fogos... Nem mesmo consigo me lembrar de
quando fomos lá pela primeira vez... Acho que tínhamos uns dez anos de idade ou
menos... Encontramos aquele lugar por acaso, depois de nos perdermos na
floresta. Eu estava chorando e você segurou minha mão. Enquanto você me guiava,
a visão que eu tinha era a de um herói salvando uma donzela em perigo. Quase
não acreditei quando você, anos mais tarde, me confessou que estava com medo
também. Quando chegamos lá, nos deparamos com uma linda visão do ceu estrelado
daquela noite de verão. Enquanto olhávamos para o alto, os fogos de artifício,
repentinamente, começaram a subir. Você olhava para aquilo como se estivesse em
transe, mas confesso que naquele dia eu não vi os fogos... Naquele dia eu
apenas conseguia olhar para o seu rosto... Naquele momento eu soube que estava
apaixonada...
A partir daquele dia, fomos ao festival
todos os anos. A cada verão que acabava, meus sentimentos por você aumentavam
mais e mais... As vezes eu penso que teria sido muito melhor, ou pelo menos
mais fácil, ter crescido sem gostar de você... Talvez se essa fosse a
realidade, eu hoje poderia ir ao festival com minhas amigas e me divertir como
uma garota comum, ao invés de sair escondida de casa para ir ver os fogos
sozinha... Sabe, tem vezes que eu tento esquecer tudo. Mas em momentos como
esses eu sei que acabaria lembrando de novo e de novo...
–
Você se lembra do nosso último festival?
Eu me lembrava... Aquela noite estava
muito semelhante a essa. O vento soprava gentilmente, fazendo com que o som das
árvores se misturasse com a música do festival, que nós podíamos ouvir já muito
fraca daquela distância. Nos sentamos na mesma calçada em que eu agora
descansava e rimos enquanto tentávamos imitar o som da banda tão distante...
–
Hyu – ru – ri –ra... Era assim, não é?
![]() |
| Nishiki kamuro |
A caminhada até nosso local secreto foi
mais demorada do que de costume naquele ano. Você tinha me dito que precisava
me contar algo naquela noite, mas que queria fazer isso em um lugar especial.
Você me disse que iria embora quando o verão acabasse, pois seus pais queriam
que você estudasse no exterior. Aquilo me devastou. O verão já estava próximo
de seu fim, afinal... Aquele pensamento machucava meu coração de uma forma quase
insuportável. Mas eu não queria ficar triste naquele momento. Eu queria poder
aproveitar cada momento daquela noite, já que poderia ser a última. Uma nishiki
kamuro floresceu no ceu estrelado. Aquela foi a primeira vez. Mais uma vez,
você olhava fixamente paro os fogos, enquanto eu roubava uma visão de seu
rosto. Aquela foi a última vez... Um erro transformou aquela noite de despedida
em um começo para algo que não duraria nem mesmo uma estação. Um coração
invertido disparado no ceu nos fez rir enquanto olhávamos nos olhos um do
outro. “eu te amo” você disse antes de me beijar... Aquela foi a primeira e a
última vez...
Se eu ao menos nunca tivesse descoberto
esses sentimentos... Se aquela noite em que nos perdemos nunca tivesse
existido... Me pergunto se assim eu sofreria menos... Eu gostaria de conseguir
esquecer tudo... Absolutamente tudo sobre você. Cada pequena memória, seja
feliz ou triste, é capaz de quebram em pedaços meu pobre coração.
–
Por que nos encontramos, então?
Nós nunca mais poderemos nos encontrar
novamente, eu sei disso... Mas mesmo sabendo que é egoísta e irracional de
minha parte, mas eu quero te ver... Quero muito te ver! Quero voltar a ver seu
sorriso, quero poder segurar a sua mão mais uma vez... Sentir novamente aquela
paz que eu só sentia quando você estava ao meu lado... Mesmo hoje, não consigo
aceitar que você não está mais aqui... Quando fecho meus olhos eu ainda posso
sentir sua presença... Não importa o quanto eu queira esquecer, eu ainda me
lembro todos os dias daquela última noite de verão em que você estava ao meu
lado...
Com um suspiro doce ainda carregado de
sentimentos, eu lembrei de quando me apaixonei por você. O brilho e a confiança
que seus olhos transmitiam. A força suave de sua voz. Cada traço de sua
personalidade me completava de maneira única e perfeita. Aos poucos, o tempo
foi deslizando em direção ao passado e, antes que eu me desse conta, um ano
havia se passado. Eu ainda buscava seu rosto em minhas memórias e em meus
sonhos, no entanto. Os fogos de artifício que eu assisti, sozinha, me fizeram
sentir um aperto diferente no peito. Uma dor aguda atravessava meu coração
quando me lembrava de que mais uma vez a nova estação estava para chegar e com
ela, as lembranças daquele dia em que eu soube que você não estava mais aqui.
Quando o coração foi disparado, dessa vez do lado correto, senti, apenas por um
instante, que estava de volta àquela nossa última noite de verão... Sentindo
sua presença mais forte do que nunca, pela primeira vez fui capaz de dizer
aquela palavra tão difícil... Com lágrimas de tristeza e solidão nos olhos,
finalmente pude me despedir de você.
–
Adeus...
sábado, 15 de março de 2014
O despertar
Um beijo me acordou. Um beijo quente, distante e cruel. Me arrancou das profundezas dos meus pensamentos inconscientes. Para ser bem sincero, não tenho ideia do que se passava em minha mente até o momento em que despertei, apenas para que pudesse sussurrar seu nome, "Elisabeth". Por alguma razão, mesmo que não houvesse outra opção, atribuir o beijo a ela parecia errado. Pelo menos o suficiente para que por mais que me esforçasse, minha voz não produzisse nada além de um sussurro seco, quase imaginário. Ainda assim, ouvi-a chamando de volta naquele beijo macio, claro como cristal, talvez apenas o suficiente para me fazer abrir meus olhos.
Uma mão cobria meus olhos, fria e grudenta de sangue, o cheiro era horrível, misturando vísceras, suor, sangue e outras coisas. Sentia um peso terrível sobre mim e quando me mexi, me vi cercado por corpos, eles me olhavam com seus olhos vazios, me seguravam com seus braços sem vida, e eu lutei contra eles, naquela escuridão claustrofóbica, um a um, escavei meu caminho por entre aquela pilha de indigentes mortos. Por mais de uma vez senti a pressão de uma arcada dentária solta, de um órgão arrebentado.
Em liberdade, os chutei para longe. A única luz vinha de uma sala no fim de um longo corredor. Ecos vinham em minha direção, traziam risadas e palavras ainda indistintas, cruzando com o arrastar dos meus pés por sobre o que me pareceu vidro quebrado. Foi quando senti a dor no meu peito, eu havia sido furado em mais de um lugar, precisava de um hospital ou algo do tipo. Minha visão perdia o foco e a cada passo eu me perdia cada vez mais.
"Socorro, por favor..." tentei gritar, mas não consegui. "Só mais alguns passos", tentei me convencer, a luz estava a não mais que alguns metros.
"Por favor..." não senti o impacto do chão, mas o vi chegando perto.
"Elisabeth..." tão errado quanto da primeira vez, mas desta vez ouvi uma voz desconhecida responder "Puta que pariu!"
Uma mão cobria meus olhos, fria e grudenta de sangue, o cheiro era horrível, misturando vísceras, suor, sangue e outras coisas. Sentia um peso terrível sobre mim e quando me mexi, me vi cercado por corpos, eles me olhavam com seus olhos vazios, me seguravam com seus braços sem vida, e eu lutei contra eles, naquela escuridão claustrofóbica, um a um, escavei meu caminho por entre aquela pilha de indigentes mortos. Por mais de uma vez senti a pressão de uma arcada dentária solta, de um órgão arrebentado.
Em liberdade, os chutei para longe. A única luz vinha de uma sala no fim de um longo corredor. Ecos vinham em minha direção, traziam risadas e palavras ainda indistintas, cruzando com o arrastar dos meus pés por sobre o que me pareceu vidro quebrado. Foi quando senti a dor no meu peito, eu havia sido furado em mais de um lugar, precisava de um hospital ou algo do tipo. Minha visão perdia o foco e a cada passo eu me perdia cada vez mais.
"Socorro, por favor..." tentei gritar, mas não consegui. "Só mais alguns passos", tentei me convencer, a luz estava a não mais que alguns metros.
"Por favor..." não senti o impacto do chão, mas o vi chegando perto.
"Elisabeth..." tão errado quanto da primeira vez, mas desta vez ouvi uma voz desconhecida responder "Puta que pariu!"
terça-feira, 11 de março de 2014
Amar é...
Amar,
sentimento puro, único, mas que pode ser manifestado de diferentes maneiras:
amor de irmão, mãe, amigo, namorado e por ai vai. É uma força tão ampla e
mágica, que nem todos podem ter posse ou sentir a magia de amar e ser amado. É
complexo, mas podemos tornar mais fácil se realmente estivermos dispostos a
seguir em frente e enfrentar os medos e obstáculos. Mas o amor tem coisas boas,
que quem sabe o verdadeiro significado sabe aproveitar, quer sente o que é o
amor sabe como deixá-lo maior, melhor. Eu acho que quem tem amor no coração tem
tudo, tudo é baseado no amor. Eu respiro amor.
Amor, é o
sentimento mais difícil e impossível de se guardar em um potinho de poções.
Amor é ódio.
Amor é doentio.
E amor é milagroso.
Amor pelo time de futebol
Você ama alguém quando sente um sentimento único por essa pessoa, um
sentimento que você só consegue sentir com aquela pessoa e que não sabe
explicar, é fazer coisas que você não faz geralmente, mas que por alguma razão,
fica super feliz em fazê-las.
São duas coisas que só acontecem quando você ama alguém.
É quando você sente uma afinidade muito mais especial e diferente com
alguém do que você tem com seus amigos.
E você sente que o abraço dessa pessoa te faz ficar meio fora do
planeta.
Quando você fica muito ansioso em pensar que está se aproximando da
pessoa que você gosta.
E querer compartilhar muitos momentos especiais com essa pessoa.
Amar é uma escolha,
não é um sentimento. É um compromisso, pois quando você ama você tem o
compromisso de fazer o outro feliz.
Amor a gente não define, a gente
sente.
É feliz. Apesar de tudo, você não
cansa de estar junto, nem mesmo das partes chatas. Quando você está com a
pessoa parece certo.
Amor é importante e especial, não é uma coisa que se descarte sem o
menor respeito - Timmy Turner
O amor faz com que
a pessoa se sinta muito feliz quando está perto de algo ou alguém que ela ama.
O amor faz a pessoa dar o melhor de
si para fazer feliz o que ou quem ela ama, porque isso o deixa feliz também.
O amor não ignora as diferenças
(ideias, modo de agir etc.), mas as respeita e consegue conviver em harmonia
com elas.
O amor faz a pessoa
perceber as qualidades e a beleza em algo ou alguém que ela ama.
O amor faz a pessoa se preocupar com
a segurança de alguém ou algo que ela ama.
O amor faz a pessoa perdoar.
O amor faz com que a pessoa tenha um
relacionamento sincero.
O Amor e aquilo que faz você morrer
por alguém com um grande sorriso no rosto.
Amar não significa estar junto, mas
querer ver a pessoa feliz, mesmo que isso custe a sua felicidade.
Amar é cuidar da outra pessoa, pelo menos querer cuidar
É o que eu sinto pela minha namorada
Amar pode ter
varias interpretações.
É quando você gosta
tanto de alguém que você daria a sua vida pra salvar a dela.
É quando você
reconhece que os momentos com a maior paz na sua vida é quando você esta ao
lado da pessoa que você ama.
Acredito que amar alguém é ter
certeza que aquela pessoa mudou a sua vida completamente. É muito além de
acordar pensando na pessoa, de mandar mensagens bonitinhas e de fazer juras de
amor para a pessoa. Claro que essas coisas são importantes e fazem você e seu
amado se sentirem bem, mas amar é querer que esse sentimento se renove todos os
dias, que essa pessoa saiba o quanto ela é especial para você e dar um bom dia
verdadeiro. Toda vez que você estiver se sentindo triste, ele vai ser a
primeira pessoa que você vai procurar e vai ser a ultima todos os dias, antes
de dormir. Quando você estiver longe dele vai ficar triste e ficar com aquela
sensação de choro preso na garganta e quando você estiver perto vai querer que
esse momento nunca acabe. Quando a pessoa tiver triste você vai entrar em
desespero achando que é com você e se não for com você vai ficar mais ainda em
desespero querendo matar quem foi que deixou ele desse jeito. Quando você mudar
o cabelo e falar que não gostou e ele falar que você tá linda você vai falar
discordar e falar que ele tá falando isso só pra te agradar, mas seu coração na
verdade vai estar palpitando porque você cortou daquele jeito esperando que ele
também gostasse. É ficar lendo as cartinhas antigas com as lágrimas pulando pra
fora dos olhos. É achar graça quando ele faz uma piadinha sem graça. É ficar
ansiosa quando vocês vão sair. É aprender a cozinhar só pra fazer a comida
favorita dele. É ficar com a boca inchada em algum dia especial. É usar a cor
favorita dele pra fazer uma surpresa algum dia. Enfim, é não esquecer do porque
de você ter escolhido ele, justo ele.
Amor é indefinível.
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