domingo, 23 de março de 2014

E assim eu te Encontrei...


 – Estou em casa!
 – Bem vindo de volta... O que aconteceu, Raiden?
 – Não foi nada... Eu apenas caí no caminho.
 – De novo? Você tem que tomar mais cuidado, meu filho...
 – Eu sei... Desculpe-me.
 – Está tudo bem. O importante é que você não se machucou. – Ela sorriu. – Agora vá tomar um banho, pois o jantar está quase pronto.
Era horrível ter que mentir para minha mãe, mas essa é a única forma de poupá-la da triste verdade por trás da sujeira em minha roupa e dos constantes machucados misteriosos. Para ser sincero, não acho que ela acredite em mim quando digo que apenas levei um tombo. No fundo, acho que ela sabe que eu sofro por causa de minha aparência, mas ela não pode admitir isso para si mesma, do contrário começaria a se sentir culpada novamente. Não que fosse realmente culpa dela o fato de eu ter nascido com um rosto tão assustador. Ninguém tinha culpa disso, mas sempre que pensava nisso, mamãe sofria e se sentia mal pelo que eu passava na escola. Para evitar que ela se sentisse assim, eu passei a esconder o que acontecia e apenas dizia que tinha caído em algum lugar... Eu apenas não conseguia mais vê-la sofrer...
Após tomar banho, fui jantar com minha mãe. Meu pai trabalhava no exterior, então éramos apenas nós dois naquela casa enorme. Isso era um pouco triste, mas eu me sentia feliz por ter minha mãe por perto. Sempre conversávamos sobre diversos assuntos durante o jantar, desde política e economia até esportes e mangás! Então não importava o quanto eu sofresse durante o dia, desde que eu pudesse ver o sorriso de minha mãe a noite, eu estava feliz. A conversa naquela noite foi sobre a mudança que ocorreria dali a dois dias.
 – Você já terminou de empacotar suas coisas?
 – Quase tudo. Só falta o meu material de trabalho. Já desci com a maior parte das caixas, então acredito que até amanhã à noite eu termine.
 – Gostaria que eu o ajudasse?
 – Não precisa, mãe! Além disso, você também tem trabalho a fazer, não é?
 – É verdade... Ainda tenho que limpar os quartos...
 – Eu irei ajudar!
 – Mas você não tem que cumprir o prazo?
 – Não se preocupe! Já tenho 90% das imagens concluídas e bastante tempo de prazo!
 – Tem certeza?
 – Claro que sim! A Editora me deu alguns dias a mais por causa da mudança.
 – Eles realmente gostam dos seus desenhos, não é? Tenho tanto orgulho de você!
 – Não fale assim... Eu fico sem graça, você sabe... Mas, fora isso, quando eles vão se mudar?
 – Acredito que cheguem no Domingo.
 – Tão depressa... Eles devem mesmo estar com pressa, não é?
 – Não sei dos detalhes, mas parece que a Empresa na qual o Senhor Takeda vai trabalhar quer que ele comece já na Segunda...
 – Entendo...
 – Eles tem uma filha com sua idade, sabia?
 – Ah é...?
Uma garota? Aquilo me surpreendeu... Nunca imaginei ter uma garota vivendo tão próxima a mim... Eu já conseguia visualizar ela me evitando e fingindo que não me conhece quando alguém a questionasse. Aquela cena ilusória tirou meu apetite. Dizendo que iria trabalhar um pouco antes de dormir, me despedi de minha mãe e voltei ao meu quarto. Apenas minha mesa e meu equipamento ainda estavam lá, mas eles eram tudo que eu precisava para me distrair. Enquanto desenhava as cenas do novo capítulo do meu mangá, o mundo parecia desaparecer e todos os meus problemas e frustrações tornavam-se insignificantes.
 – Ah, como eu queria que você fosse real, Ueno-chan...

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O som de pessoas subindo e descendo a escada me acordou. Era Domingo, então imaginei que aqueles sons fossem os Takeda levando suas coisas para o andar de cima, aonde morariam a partir de hoje. Era um pouco estranho imaginar que passaríamos a dividir a casa com eles, afinal até então éramos apenas mamãe e eu. Na verdade, o que mais me amedrontava, era como eles reagiriam ao me ver... Será que me evitariam como todos os outros adultos? Ou seriam rudes? Será que seriam gentis? Eu queria saber e ao mesmo tempo tinha medo de descobrir... Com receio, decidi sair do quarto.
 – Ah! Você acordou Raiden! Rápido, venha aqui se apresentar. – Minha mãe disse ao me ver.
Fui na direção em que ela estava e, como imaginei, encontrei os três membros da Família Takeda na sala de estar. Nenhum deles pareceu ficar surpreso ao me ver, o que me fez me sentir um pouco estranho. Era a primeira vez que conhecia pessoas que não me olhavam torto ao me ver pela primeira vez. O Senhor Takeda era um homem alto e de bom porte físico. Assim que me viu, sorriu gentilmente e se apressou em vir até mim para me cumprimentar formalmente. Atrás dele, a Senhora Takeda e a filha fizeram o mesmo.
 – Muito prazer! Meu nome é Takeda Hayato. Espero que possamos nos dar bem de agora em diante!
 – O prazer é meu. Eu sou Kudo Raiden.
 – Raiden-kun, então? – Perguntou a Senhora Takeda. – Muito prazer! Eu sou Takeda Kurumi.
 – Muito prazer, Kurumi-san.
 – Agora é sua vez... Se apresente...
 – Eu sou Takeda Ueno...
Eu não havia notado até estar frente a frente com ela, mas aquele longo cabelo castanho com uma única trança lateral caindo sobre o ombro direito, a pele clara e os olhos verdes a tornavam uma imagem viva da heroína do meu mangá. Além disso, ela também se chamava Ueno? Estava tão surpreso que nem mesmo me dei conta que ela havia saído da sala. O Senhor Takeda desculpava-se pela má educação da filha enquanto eu tentava acalmá-lo dizendo que não me importava com o ocorrido. Eu estava surpreso demais para me importar...
A noite, fiquei pensando no quanto aquilo era inacreditável. Uma garota que era a cara da personagem criada por mim e que, ainda por cima, tinha o mesmo nome? Isso era completamente absurdo! Não consegui trabalhar pela primeira vez em muito tempo, pois apenas a Ueno real me vinha a cabeça. Acabei adormecendo.

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Na manhã seguinte, saí de casa antes que os Takeda acordassem. Para ser sincero, eu apenas não queria que Ueno-san me visse, então fui bem cedo para a escola. Enquanto caminhava, me lembrei que ela tinha a mesma idade que eu e, portanto, também deveria estar no mesmo ano que eu. Imaginei para que escola ela iria. Provavelmente para a mesma que eu frequentava, pois era a mais próxima de casa. A resposta veio mais tarde naquele mesmo dia, quando Ueno-san se apresentou a todos de minha turma.
Embora tenha tido que se sentar ao meu lado, ela nem sequer olhou em minha direção uma vez sequer. Admito que ser ignorado daquela maneira me incomodou, mas achei melhor não tentar falar com ela. Afinal, eu sabia que ela odiaria ser associada a alguém com uma aparência como a minha, no fim das contas. No entanto, ser ignorado não era tão ruim, afinal, pela primeira vez em muito tempo eu consegui comer meu lanche em paz no intervalo, uma vez que todas as atenções estavam voltadas para a aluna transferida e não para o cara de aparência bizarra... Silenciosamente agradeci pela presença dela e, discretamente, deixei a sala.
Os dias foram se passando e Ueno-san tornou-se amiga de todos na classe. Embora eu me sentisse agradecido por não estar sendo importunado, eu me sentia um pouco solitário pelo fato de ser ignorado por ela. Percebi que aos poucos, a visão que eu tinha dela ia se tornando diferente. Se no começo era apenas espanto pela semelhança dela com minha personagem, com o tempo aquilo se tornou admiração. Eu a via sorrir enquanto conversava com as amigas e aquilo bastava para fazer meu coração palpitar. Ela era tão gentil com todos... Estava sempre disposta a ajudar alguém em dificuldades... Percebi que não era apenas na aparência que ela me lembrava de minha Ueno-chan, mas também na atitude gentil e determinada. Não sei quando percebi que estava apaixonado, mas isso não fazia muita diferença, afinal eu tinha certeza que ela me odiava.
Eu havia me acostumado a passar meu tempo livre em silêncio, observando-a de longe. As pessoas pareciam ter se esquecido de mim desde a chegada dela, então eu tinha me permitido baixar a guarda. No entanto, eu deveria saber que aquela paz seria temporária. Com as pessoas se acostumando com a presença de Ueno-san, tudo voltaria a ser como era antes. Naquela tarde, depois de muito tempo, as pessoas se reuniram com os tradicionais frutos podres e ovos. As risadas ecoavam em minha cabeça enquanto as pessoas atiravam tudo o que tinham em mãos em minha direção. Só o que me restava fazer era esperar até que todos se cansassem e, então, ir para casa... Eu já estava acostumado, no fim das contas...

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Após tomar banho decidi trabalhar em meu mangá para me distrair. Aquilo sempre funcionara, afinal. Porém, ao entrar em meu quarto tive uma grande surpresa! Ele não estava vazio como de costume. Ela estava lá. Ela nunca havia falado comigo em casa, mas agora estava em meu quarto olhando para... Meu mangá!
 – Ei! Isso não é....
 – Ah, você voltou. – Ela não parecia surpresa ou chateada com o que havia visto. – Eu vi esses desenhos na sua mesa... Foi você quem os fez?
 – Sim... Mas isso não...
 – Sabe, eu realmente gosto deste mangá... Até mudei meu visual para ficar mais parecida com a Ueno-chan.
Eu estava sem palavras. Aquilo estava mesmo acontecendo? Parecia tão surreal!
 – Eu escutei quando você mentiu para sua mãe... – Ela disse ainda olhando para os desenhos. – Por que fez isso?
 – Você ouviu isso? Sinto muito por isso...
 – Tudo bem... Mas por que?
 – Para que ela não fique se culpando.
 – E por que ela faria isso?
 – Por causa do meu rosto... Eu nasci com esse rosto assustador e desde criança tenho sofrido maus tratos por causa de minha aparência. Mamãe sempre se culpou por isso... Dizia que era culpa dela eu sofrer desse jeito... Por isso eu passei a esconder dela que ainda era provocado e humilhado todos os dias... Não acho que ela acredite em mim de verdade, mas pelo menos assim ela é capaz de sorrir para mim todas as noites...
 – Hum... Então é por isso...
 – Sim...
 – Mas por que você aceita que façam isso com você, afinal?
 – Porque só assim isso vai acabar... – Eu me sentei. – Eu acredito que um dia eles vão se cansar de mim...
 – Você é mesmo uma pessoa boa, não é? – Ela virou-se para mim.
 – Não sei se posso concordar com isso...
 – Mas é a verdade, não é? Você sempre prepara o café da manhã para todos antes de sair não é? E sempre que alguém esquece a lição você joga a sua para que a pessoa encontre e use como dela e recebe a bronca no lugar dela. Você sempre limpa a sala e cuida das plantas mesmo que não seja seu dia de fazer isso. Além disso você escreve o mangá da Ueno-chan, então você é mesmo uma pessoa boa...
 – Eu...
 – Bom, não vou te dizer o que fazer, mas não é legal mentir para sua mãe... – Ela se levantou e foi em direção a porta.
 – Ei...! – Chamei. – Posso te perguntar uma coisa?
 – Apenas uma.
 – Por que você nunca fala comigo na Escola?
 – Porque você nunca se apresentou formalmente.
 – Ah... Entendo... Então é isso...
 – Sabe, você não precisa passar por tudo sozinho... – Dizendo isso ela se foi, fechando a porta do quarto.
Meu coração estava queimando. Aquela era a primeira vez que conversávamos de verdade. Até então nossas interações baseavam-se apenas em cumprimentos formais quando nos víamos em casa e nada além disso. Mas naquele momento eu percebi que ela me observava muito mais do que eu poderia imaginar. Ela havia reparado em muitas das coisas que eu fazia em segredo. Enquanto esperava o sono chegar, desejei que aquilo não fosse um sonho... Desejei que não fosse mera coincidência nossos caminhos terem se cruzado... Desejei que pudéssemos ter conversas como aquela mais vezes... Desejei que eu pudesse estar ao lado dela... Mas logo antes de adormecer eu me lembrei que deixei de acreditar nesse tipo de milagre há muito tempo.

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No dia seguinte, acordei mais cedo como sempre fizera, mas fui surpreendido pela presença dela na cozinha. Ela estava terminando de preparar o café da manhã. Quando notou minha presença, ela apenas sorriu e me apontou uma cadeira. Obediente, sentei-me e ela trouxe a minha parte. Eu estava confuso como aquela situação.
 – É bom, viu? – Ela disse. – Quando alguém cuida de você...
Pela primeira vez desde que ela havia se mudado, fomos juntos para a Escola. Não lado a lado, é verdade, mas mesmo assim era algo que eu jamais imaginara ser possível. Eu me sentia em feliz como há muito não me sentia. Era como se tudo o que eu passei durante todos aqueles anos não tivesse a menor importância desde que ela estivesse comigo... Aquela paz, entretanto, parecia que iria chegar ao fim quando as amigas dela apareceram.
 – Aquele cara está sorrindo enquanto olha na sua direção, Ueno...
 – É nojento!
 – O que você quer aqui? Por acaso você pretende atacar a pobre Ueno?
 – Tarado! Qual é a sua? Vê se desaparece de uma vez!
 – Me desculpem... – Disse baixando a cabeça. – Me desculpem! – Uma lágrima desceu pelo meu rosto. Por que eu estava chorando? Eu já estava acostumado a ser tratado assim...
 – Eu o conheço. – A voz de Ueno-san chegou até mim. – Ele é uma boa pessoa, então vocês não deveriam falar assim com ele...
Ela estava me defendendo? Não era possível. Eu estava atordoado e as amigas dela pareciam estar sem palavras. Aquela era a primeira vez que alguém me defendia. Senti o toque dela em meu ombro. Ela perguntou se estava tudo bem e sorriu quando eu disse que sim. Eu podia sentir os olhares surpresos de todos ao nosso redor, mas eu não me importava... Eu apenas queria que aquele momento durasse para sempre... Ela era tão forte e tão gentil... Minha admiração por ela crescia exponencialmente a cada segundo que passava.

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 – Eu soube que a Ueno-san protegeu aquele cara estranho...
 – Eu também escutei sobre isso... Qual o problema dela?
 – Talvez ela goste de caras como ele...
 – Deve ser isso...
 – E ela parecia ser uma pessoa tão normal...
 – Acho melhor deixarmos ela de lado...
As pessoas da minha Escola podiam ser cruéis quando queriam. Eu sabia muito bem disso, pois já havia experimentado essa crueldade centenas de vezes nos últimos anos. No entanto, Ueno-san não sabia disso quando decidiu me ajudar na manhã anterior. Desde que o assunto se espalhou, ela passou a ser tratada de forma fria por quase todos os alunos. Eu me sentia culpado pelo ocorrido, mas sempre que eu tentava me desculpar, ela me interrompia e dizia que estava tudo bem com um sorriso no rosto. Ela realmente era muito mais forte do que eu poderia ser... Ou ao menos era isso no que eu acreditava...
Duas semanas haviam se passado desde o ocorrido e a forma como as pessoas se referiam a Ueno-san piorava cada vez mais. Ela, no entanto, não parecia se importar com isso. Todos os dias, na hora do almoço, ela saia da sala e me dizia que iria almoçar sozinha. Quando a perguntei o motivo, ela limitou-se a sorrir e dizer que era um segredo dela. No princípio achei que não fosse nada importante, mas depois de algum tempo comecei a achar que essa atitude era suspeita e acabei ficando preocupado.
Decidi segui-la. Sei que isso não é a coisa mais correta a se fazer, mas eu temia que ela pudesse estar sendo humilhada como eu sempre era. Sem que ela percebesse, fui atrás dela naquele dia. Surpreendentemente, o local para o qual ela sempre ia durante o almoço era o mesmo lugar no qual eu me refugiava quando mais novo: o terraço. Aquele lugar me trazia muitas lembranças, apesar da última delas ser horrível. No entanto, eu não tinha tempo para pensar nisso. Eu estava ali apenas para descobrir o que Ueno-san vinha fazendo todos os dias... Olhei em volta a procura dela e a vi sentada em um canto com a cabeça baixa. Hesitei um pouco antes de decidir me aproximar. Ao vê-la de mais perto, notei que ela estava chorando.
Naquele instante eu percebi o quão impotente eu era. Não havia sido capaz de perceber o quanto ela estava sofrendo em silêncio mesmo vivendo sob o mesmo teto. Eu era realmente patético. Ela ainda não havia notado minha presença, então estava me virando para ir embora quando a escutei. A princípio pensei ser minha imaginação, mas a voz dela continuava a ecoar em minha mente. Aquela curta frase que ela repetia de novo e de novo fez com que meu coração palpitasse...
 – Alguém... Me encontre...
O que ela estava dizendo? Por que ela estava dizendo aquilo? Ela queria que alguém a encontrasse? Que alguém a salvasse? Só então eu soube que ela era igual a mim. Alguém que fingia não se importar com nada que fosse dito ou feito, mas que na verdade estava em prantos por dentro. Ela precisava de ajuda. Precisava que alguém ficasse ao lado dela da mesma forma que ela havia ficado ao meu. Não importava que eu fosse quem eu era... Naquele momento, eu não poderia hesitar. Ela estava esperando...  
 – Eu te encontrei... – Disse, sem graça.
Ela pareceu assustada ao perceber minha presença.
 – O que? Por que você...?
 – Por nada...
 – O que você quer? – Ela enxugou os olhos, tentando conter as lágrimas.
 – Fingindo ser forte, mas chorando por dentro... Hum... Você é quase igual a mim...
 – O que quer dizer?
 – Exatamente o que eu disse.
Após alguns instantes de silêncio, ela sorriu. Era muito bom vê-la sorrir depois de tudo, mas ela também chorava. Não soube se por não conseguir segurar as lágrimas ou se por não querer mais segurá-las. Eu não sabia o que fazer, então apenas fiquei ali, olhando para ela. Nossos olhos se encontraram por um momento.
 – Obrigado. – Ela disse.
Eu havia encontrado. Eu finalmente havia encontrado. Alguém com quem eu pudesse caminhar junto. Estava tão feliz que era difícil acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Vê-la daquela forma tão frágil, completamente diferente da imagem forte que ela mostrava aos outros, me fez perceber que eu poderia, um dia, estar ao lado dela. Que eu poderia protege-la desde que eu me tornasse forte o bastante para isso. Eu havia encontrado um motivo para continuar em frente.
 – Eu estarei sempre com você. – Eu disse ao abraça-la.
Ela aceitou meu abraço como se já o esperasse há muito tempo. Eu não tinha mais dúvidas. Certamente, o dia em que minha mão esquerda e a mão direita dela irão se apertar forte iria chegar. E quando chegasse, eu jamais a soltaria... Jamais a deixaria ir embora.

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 – Foi assim que eu te encontrei...

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