–
Estou em casa!
–
Bem vindo de volta... O que aconteceu, Raiden?
–
Não foi nada... Eu apenas caí no caminho.
–
De novo? Você tem que tomar mais cuidado, meu filho...
–
Eu sei... Desculpe-me.
–
Está tudo bem. O importante é que você não se machucou. – Ela sorriu. – Agora vá
tomar um banho, pois o jantar está quase pronto.
Era horrível ter que mentir para minha
mãe, mas essa é a única forma de poupá-la da triste verdade por trás da sujeira
em minha roupa e dos constantes machucados misteriosos. Para ser sincero, não
acho que ela acredite em mim quando digo que apenas levei um tombo. No fundo,
acho que ela sabe que eu sofro por causa de minha aparência, mas ela não pode
admitir isso para si mesma, do contrário começaria a se sentir culpada
novamente. Não que fosse realmente culpa dela o fato de eu ter nascido com um
rosto tão assustador. Ninguém tinha culpa disso, mas sempre que pensava nisso,
mamãe sofria e se sentia mal pelo que eu passava na escola. Para evitar que ela
se sentisse assim, eu passei a esconder o que acontecia e apenas dizia que
tinha caído em algum lugar... Eu apenas não conseguia mais vê-la sofrer...
Após tomar banho, fui jantar com minha
mãe. Meu pai trabalhava no exterior, então éramos apenas nós dois naquela casa
enorme. Isso era um pouco triste, mas eu me sentia feliz por ter minha mãe por
perto. Sempre conversávamos sobre diversos assuntos durante o jantar, desde
política e economia até esportes e mangás! Então não importava o quanto eu
sofresse durante o dia, desde que eu pudesse ver o sorriso de minha mãe a
noite, eu estava feliz. A conversa naquela noite foi sobre a mudança que
ocorreria dali a dois dias.
–
Você já terminou de empacotar suas coisas?
–
Quase tudo. Só falta o meu material de trabalho. Já desci com a maior parte das
caixas, então acredito que até amanhã à noite eu termine.
–
Gostaria que eu o ajudasse?
–
Não precisa, mãe! Além disso, você também tem trabalho a fazer, não é?
–
É verdade... Ainda tenho que limpar os quartos...
–
Eu irei ajudar!
–
Mas você não tem que cumprir o prazo?
–
Não se preocupe! Já tenho 90% das imagens concluídas e bastante tempo de prazo!
–
Tem certeza?
–
Claro que sim! A Editora me deu alguns dias a mais por causa da mudança.
–
Eles realmente gostam dos seus desenhos, não é? Tenho tanto orgulho de você!
–
Não fale assim... Eu fico sem graça, você sabe... Mas, fora isso, quando eles
vão se mudar?
–
Acredito que cheguem no Domingo.
–
Tão depressa... Eles devem mesmo estar com pressa, não é?
–
Não sei dos detalhes, mas parece que a Empresa na qual o Senhor Takeda vai
trabalhar quer que ele comece já na Segunda...
–
Entendo...
–
Eles tem uma filha com sua idade, sabia?
–
Ah é...?
Uma garota? Aquilo me surpreendeu...
Nunca imaginei ter uma garota vivendo tão próxima a mim... Eu já conseguia
visualizar ela me evitando e fingindo que não me conhece quando alguém a
questionasse. Aquela cena ilusória tirou meu apetite. Dizendo que iria trabalhar
um pouco antes de dormir, me despedi de minha mãe e voltei ao meu quarto.
Apenas minha mesa e meu equipamento ainda estavam lá, mas eles eram tudo que eu
precisava para me distrair. Enquanto desenhava as cenas do novo capítulo do meu
mangá, o mundo parecia desaparecer e todos os meus problemas e frustrações
tornavam-se insignificantes.
–
Ah, como eu queria que você fosse real, Ueno-chan...
. . .
O som de pessoas subindo e descendo a
escada me acordou. Era Domingo, então imaginei que aqueles sons fossem os
Takeda levando suas coisas para o andar de cima, aonde morariam a partir de
hoje. Era um pouco estranho imaginar que passaríamos a dividir a casa com eles,
afinal até então éramos apenas mamãe e eu. Na verdade, o que mais me
amedrontava, era como eles reagiriam ao me ver... Será que me evitariam como
todos os outros adultos? Ou seriam rudes? Será que seriam gentis? Eu queria
saber e ao mesmo tempo tinha medo de descobrir... Com receio, decidi sair do
quarto.
–
Ah! Você acordou Raiden! Rápido, venha aqui se apresentar. – Minha mãe disse ao
me ver.
Fui na direção em que ela estava e, como
imaginei, encontrei os três membros da Família Takeda na sala de estar. Nenhum
deles pareceu ficar surpreso ao me ver, o que me fez me sentir um pouco
estranho. Era a primeira vez que conhecia pessoas que não me olhavam torto ao
me ver pela primeira vez. O Senhor Takeda era um homem alto e de bom porte
físico. Assim que me viu, sorriu gentilmente e se apressou em vir até mim para
me cumprimentar formalmente. Atrás dele, a Senhora Takeda e a filha fizeram o
mesmo.
–
Muito prazer! Meu nome é Takeda Hayato. Espero que possamos nos dar bem de
agora em diante!
–
O prazer é meu. Eu sou Kudo Raiden.
–
Raiden-kun, então? – Perguntou a Senhora Takeda. – Muito prazer! Eu sou Takeda
Kurumi.
–
Muito prazer, Kurumi-san.
–
Agora é sua vez... Se apresente...
–
Eu sou Takeda Ueno...
Eu não havia notado até estar frente a
frente com ela, mas aquele longo cabelo castanho com uma única trança lateral
caindo sobre o ombro direito, a pele clara e os olhos verdes a tornavam uma
imagem viva da heroína do meu mangá. Além disso, ela também se chamava Ueno? Estava
tão surpreso que nem mesmo me dei conta que ela havia saído da sala. O Senhor
Takeda desculpava-se pela má educação da filha enquanto eu tentava acalmá-lo
dizendo que não me importava com o ocorrido. Eu estava surpreso demais para me
importar...
A noite, fiquei pensando no quanto
aquilo era inacreditável. Uma garota que era a cara da personagem criada por
mim e que, ainda por cima, tinha o mesmo nome? Isso era completamente absurdo!
Não consegui trabalhar pela primeira vez em muito tempo, pois apenas a Ueno
real me vinha a cabeça. Acabei adormecendo.
. . .
Na manhã seguinte, saí de casa antes que
os Takeda acordassem. Para ser sincero, eu apenas não queria que Ueno-san me
visse, então fui bem cedo para a escola. Enquanto caminhava, me lembrei que ela
tinha a mesma idade que eu e, portanto, também deveria estar no mesmo ano que
eu. Imaginei para que escola ela iria. Provavelmente para a mesma que eu
frequentava, pois era a mais próxima de casa. A resposta veio mais tarde
naquele mesmo dia, quando Ueno-san se apresentou a todos de minha turma.
Embora tenha tido que se sentar ao meu
lado, ela nem sequer olhou em minha direção uma vez sequer. Admito que ser
ignorado daquela maneira me incomodou, mas achei melhor não tentar falar com
ela. Afinal, eu sabia que ela odiaria ser associada a alguém com uma aparência
como a minha, no fim das contas. No entanto, ser ignorado não era tão ruim,
afinal, pela primeira vez em muito tempo eu consegui comer meu lanche em paz no
intervalo, uma vez que todas as atenções estavam voltadas para a aluna
transferida e não para o cara de aparência bizarra... Silenciosamente agradeci
pela presença dela e, discretamente, deixei a sala.
Os dias foram se passando e Ueno-san
tornou-se amiga de todos na classe. Embora eu me sentisse agradecido por não
estar sendo importunado, eu me sentia um pouco solitário pelo fato de ser
ignorado por ela. Percebi que aos poucos, a visão que eu tinha dela ia se
tornando diferente. Se no começo era apenas espanto pela semelhança dela com
minha personagem, com o tempo aquilo se tornou admiração. Eu a via sorrir
enquanto conversava com as amigas e aquilo bastava para fazer meu coração
palpitar. Ela era tão gentil com todos... Estava sempre disposta a ajudar
alguém em dificuldades... Percebi que não era apenas na aparência que ela me
lembrava de minha Ueno-chan, mas também na atitude gentil e determinada. Não
sei quando percebi que estava apaixonado, mas isso não fazia muita diferença,
afinal eu tinha certeza que ela me odiava.
Eu havia me acostumado a passar meu
tempo livre em silêncio, observando-a de longe. As pessoas pareciam ter se esquecido
de mim desde a chegada dela, então eu tinha me permitido baixar a guarda. No
entanto, eu deveria saber que aquela paz seria temporária. Com as pessoas se
acostumando com a presença de Ueno-san, tudo voltaria a ser como era antes.
Naquela tarde, depois de muito tempo, as pessoas se reuniram com os
tradicionais frutos podres e ovos. As risadas ecoavam em minha cabeça enquanto
as pessoas atiravam tudo o que tinham em mãos em minha direção. Só o que me
restava fazer era esperar até que todos se cansassem e, então, ir para casa...
Eu já estava acostumado, no fim das contas...
. . .
Após tomar banho decidi trabalhar em meu
mangá para me distrair. Aquilo sempre funcionara, afinal. Porém, ao entrar em
meu quarto tive uma grande surpresa! Ele não estava vazio como de costume. Ela
estava lá. Ela nunca havia falado comigo em casa, mas agora estava em meu
quarto olhando para... Meu mangá!
–
Ei! Isso não é....
–
Ah, você voltou. – Ela não parecia surpresa ou chateada com o que havia visto. –
Eu vi esses desenhos na sua mesa... Foi você quem os fez?
–
Sim... Mas isso não...
–
Sabe, eu realmente gosto deste mangá... Até mudei meu visual para ficar mais
parecida com a Ueno-chan.
Eu estava sem palavras. Aquilo estava
mesmo acontecendo? Parecia tão surreal!
–
Eu escutei quando você mentiu para sua mãe... – Ela disse ainda olhando para os
desenhos. – Por que fez isso?
–
Você ouviu isso? Sinto muito por isso...
–
Tudo bem... Mas por que?
–
Para que ela não fique se culpando.
–
E por que ela faria isso?
–
Por causa do meu rosto... Eu nasci com esse rosto assustador e desde criança
tenho sofrido maus tratos por causa de minha aparência. Mamãe sempre se culpou
por isso... Dizia que era culpa dela eu sofrer desse jeito... Por isso eu
passei a esconder dela que ainda era provocado e humilhado todos os dias... Não
acho que ela acredite em mim de verdade, mas pelo menos assim ela é capaz de
sorrir para mim todas as noites...
–
Hum... Então é por isso...
–
Sim...
–
Mas por que você aceita que façam isso com você, afinal?
–
Porque só assim isso vai acabar... – Eu me sentei. – Eu acredito que um dia
eles vão se cansar de mim...
–
Você é mesmo uma pessoa boa, não é? – Ela virou-se para mim.
–
Não sei se posso concordar com isso...
–
Mas é a verdade, não é? Você sempre prepara o café da manhã para todos antes de
sair não é? E sempre que alguém esquece a lição você joga a sua para que a
pessoa encontre e use como dela e recebe a bronca no lugar dela. Você sempre
limpa a sala e cuida das plantas mesmo que não seja seu dia de fazer isso. Além
disso você escreve o mangá da Ueno-chan, então você é mesmo uma pessoa boa...
–
Eu...
–
Bom, não vou te dizer o que fazer, mas não é legal mentir para sua mãe... – Ela
se levantou e foi em direção a porta.
–
Ei...! – Chamei. – Posso te perguntar uma coisa?
–
Apenas uma.
–
Por que você nunca fala comigo na Escola?
–
Porque você nunca se apresentou formalmente.
–
Ah... Entendo... Então é isso...
–
Sabe, você não precisa passar por tudo sozinho... – Dizendo isso ela se foi,
fechando a porta do quarto.
Meu coração estava queimando. Aquela era
a primeira vez que conversávamos de verdade. Até então nossas interações
baseavam-se apenas em cumprimentos formais quando nos víamos em casa e nada
além disso. Mas naquele momento eu percebi que ela me observava muito mais do
que eu poderia imaginar. Ela havia reparado em muitas das coisas que eu fazia
em segredo. Enquanto esperava o sono chegar, desejei que aquilo não fosse um
sonho... Desejei que não fosse mera coincidência nossos caminhos terem se
cruzado... Desejei que pudéssemos ter conversas como aquela mais vezes...
Desejei que eu pudesse estar ao lado dela... Mas logo antes de adormecer eu me
lembrei que deixei de acreditar nesse tipo de milagre há muito tempo.
. . .
No dia seguinte, acordei mais cedo como
sempre fizera, mas fui surpreendido pela presença dela na cozinha. Ela estava
terminando de preparar o café da manhã. Quando notou minha presença, ela apenas
sorriu e me apontou uma cadeira. Obediente, sentei-me e ela trouxe a minha
parte. Eu estava confuso como aquela situação.
–
É bom, viu? – Ela disse. – Quando alguém cuida de você...
Pela primeira vez desde que ela havia se
mudado, fomos juntos para a Escola. Não lado a lado, é verdade, mas mesmo assim
era algo que eu jamais imaginara ser possível. Eu me sentia em feliz como há
muito não me sentia. Era como se tudo o que eu passei durante todos aqueles
anos não tivesse a menor importância desde que ela estivesse comigo... Aquela
paz, entretanto, parecia que iria chegar ao fim quando as amigas dela
apareceram.
–
Aquele cara está sorrindo enquanto olha na sua direção, Ueno...
–
É nojento!
–
O que você quer aqui? Por acaso você pretende atacar a pobre Ueno?
–
Tarado! Qual é a sua? Vê se desaparece de uma vez!
–
Me desculpem... – Disse baixando a cabeça. – Me desculpem! – Uma lágrima desceu
pelo meu rosto. Por que eu estava chorando? Eu já estava acostumado a ser
tratado assim...
–
Eu o conheço. – A voz de Ueno-san chegou até mim. – Ele é uma boa pessoa, então
vocês não deveriam falar assim com ele...
Ela estava me defendendo? Não era
possível. Eu estava atordoado e as amigas dela pareciam estar sem palavras.
Aquela era a primeira vez que alguém me defendia. Senti o toque dela em meu
ombro. Ela perguntou se estava tudo bem e sorriu quando eu disse que sim. Eu
podia sentir os olhares surpresos de todos ao nosso redor, mas eu não me
importava... Eu apenas queria que aquele momento durasse para sempre... Ela era
tão forte e tão gentil... Minha admiração por ela crescia exponencialmente a
cada segundo que passava.
. . .
–
Eu soube que a Ueno-san protegeu aquele cara estranho...
–
Eu também escutei sobre isso... Qual o problema dela?
–
Talvez ela goste de caras como ele...
–
Deve ser isso...
–
E ela parecia ser uma pessoa tão normal...
–
Acho melhor deixarmos ela de lado...
As pessoas da minha Escola podiam ser cruéis
quando queriam. Eu sabia muito bem disso, pois já havia experimentado essa
crueldade centenas de vezes nos últimos anos. No entanto, Ueno-san não sabia
disso quando decidiu me ajudar na manhã anterior. Desde que o assunto se
espalhou, ela passou a ser tratada de forma fria por quase todos os alunos. Eu me
sentia culpado pelo ocorrido, mas sempre que eu tentava me desculpar, ela me
interrompia e dizia que estava tudo bem com um sorriso no rosto. Ela realmente
era muito mais forte do que eu poderia ser... Ou ao menos era isso no que eu
acreditava...
Duas semanas haviam se passado desde o
ocorrido e a forma como as pessoas se referiam a Ueno-san piorava cada vez
mais. Ela, no entanto, não parecia se importar com isso. Todos os dias, na hora
do almoço, ela saia da sala e me dizia que iria almoçar sozinha. Quando a
perguntei o motivo, ela limitou-se a sorrir e dizer que era um segredo dela. No
princípio achei que não fosse nada importante, mas depois de algum tempo
comecei a achar que essa atitude era suspeita e acabei ficando preocupado.
Decidi segui-la. Sei que isso não é a
coisa mais correta a se fazer, mas eu temia que ela pudesse estar sendo
humilhada como eu sempre era. Sem que ela percebesse, fui atrás dela naquele
dia. Surpreendentemente, o local para o qual ela sempre ia durante o almoço era
o mesmo lugar no qual eu me refugiava quando mais novo: o terraço. Aquele lugar
me trazia muitas lembranças, apesar da última delas ser horrível. No entanto,
eu não tinha tempo para pensar nisso. Eu estava ali apenas para descobrir o que
Ueno-san vinha fazendo todos os dias... Olhei em volta a procura dela e a vi
sentada em um canto com a cabeça baixa. Hesitei um pouco antes de decidir me
aproximar. Ao vê-la de mais perto, notei que ela estava chorando.
Naquele instante eu percebi o quão
impotente eu era. Não havia sido capaz de perceber o quanto ela estava sofrendo
em silêncio mesmo vivendo sob o mesmo teto. Eu era realmente patético. Ela ainda
não havia notado minha presença, então estava me virando para ir embora quando
a escutei. A princípio pensei ser minha imaginação, mas a voz dela continuava a
ecoar em minha mente. Aquela curta frase que ela repetia de novo e de novo fez
com que meu coração palpitasse...
–
Alguém... Me encontre...
O que ela estava dizendo? Por que ela
estava dizendo aquilo? Ela queria que alguém a encontrasse? Que alguém a
salvasse? Só então eu soube que ela era igual a mim. Alguém que fingia não se
importar com nada que fosse dito ou feito, mas que na verdade estava em prantos
por dentro. Ela precisava de ajuda. Precisava que alguém ficasse ao lado dela
da mesma forma que ela havia ficado ao meu. Não importava que eu fosse quem eu
era... Naquele momento, eu não poderia hesitar. Ela estava esperando...
–
Eu te encontrei... – Disse, sem graça.
Ela pareceu assustada ao perceber minha
presença.
–
O que? Por que você...?
–
Por nada...
–
O que você quer? – Ela enxugou os olhos, tentando conter as lágrimas.
–
Fingindo ser forte, mas chorando por dentro... Hum... Você é quase igual a
mim...
–
O que quer dizer?
–
Exatamente o que eu disse.
Após alguns instantes de silêncio, ela
sorriu. Era muito bom vê-la sorrir depois de tudo, mas ela também chorava. Não
soube se por não conseguir segurar as lágrimas ou se por não querer mais
segurá-las. Eu não sabia o que fazer, então apenas fiquei ali, olhando para
ela. Nossos olhos se encontraram por um momento.
–
Obrigado. – Ela disse.
Eu havia encontrado. Eu finalmente havia
encontrado. Alguém com quem eu pudesse caminhar junto. Estava tão feliz que era
difícil acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Vê-la daquela forma tão
frágil, completamente diferente da imagem forte que ela mostrava aos outros, me
fez perceber que eu poderia, um dia, estar ao lado dela. Que eu poderia protege-la
desde que eu me tornasse forte o bastante para isso. Eu havia encontrado um
motivo para continuar em frente.
–
Eu estarei sempre com você. – Eu disse ao abraça-la.
Ela aceitou meu abraço como se já o
esperasse há muito tempo. Eu não tinha mais dúvidas. Certamente, o dia em que
minha mão esquerda e a mão direita dela irão se apertar forte iria chegar. E
quando chegasse, eu jamais a soltaria... Jamais a deixaria ir embora.
. . .
–
Foi assim que eu te encontrei...
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